No deserto mais seco do planeta, uma montanha de 60 mil toneladas de roupas jogadas fora já pode ser vista do espaço, e muitas peças chegaram da Europa ainda com a etiqueta

Descarte têxtil no Atacama reúne peças novas e usadas, expõe impactos da moda rápida e ameaça comunidades do norte do Chile

Gabriel Yuri Souto Gabriel Yuri Souto -
montanha de roupas no Deserto do Atacama
(Foto: Divulgação)

Uma montanha de roupas no Deserto do Atacama tornou visível um problema que começa muito antes do descarte. No norte do Chile, cerca de 60 mil toneladas de peças se acumulam a céu aberto e já podem ser identificadas por imagens de satélite.

Parte das roupas saiu de fábricas asiáticas, passou por mercados da Europa e dos Estados Unidos e chegou ao Chile para revenda. Entretanto, muitas nunca encontraram comprador e acabaram abandonadas no deserto.

Entre os resíduos, organizações ambientais encontraram peças de grandes marcas internacionais. Além disso, algumas ainda mantinham etiquetas, sinal de que nunca chegaram a ser usadas.

Como as roupas chegam ao Atacama

A principal porta de entrada fica na zona franca de Iquique. Comerciantes compram lotes de roupas novas ou usadas e tentam revendê-los no mercado latino-americano.

Porém, nem tudo encontra destino. Assim, as peças rejeitadas seguem para áreas próximas de Alto Hospício, onde o descarte irregular custa menos do que a destinação adequada.

O clima extremamente seco agrava o cenário. Como quase não chove, tecidos e fibras permanecem no solo durante décadas.

Roupas podem levar séculos para desaparecer

montanha de roupas no Deserto do Atacama

(Foto: Reprodução)

Boa parte das peças contém poliéster, náilon e outras fibras derivadas do petróleo. Por isso, a decomposição pode levar muitos anos.

Além disso, incêndios frequentes liberam fumaça e compostos tóxicos. Moradores da região também enfrentam riscos ligados à poluição do ar, do solo e da água.

Com o tempo, os tecidos sintéticos ainda liberam microplásticos. Dessa forma, o problema deixa de ser apenas visual e passa a afetar todo o ambiente.

Reciclagem ainda ocorre em pequena escala

Algumas empresas chilenas já transformam roupas descartadas em fios, mantas e painéis de isolamento. Contudo, a capacidade de reaproveitamento continua muito abaixo do volume recebido.

O Chile também possui regras de responsabilidade sobre determinados resíduos. No entanto, os têxteis ainda não contam com uma obrigação ampla que force fabricantes e importadores a pagar pela destinação.

Enquanto isso, a montanha de roupas no Deserto do Atacama continua crescendo. O cenário mostra que o custo da moda descartável não termina quando uma peça sai da loja ou do armário.

Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!

Gabriel Yuri Souto

Gabriel Yuri Souto

Formado em Marketing, é especialista em SEO e estratégias de crescimento de audiência. Atua na produção de conteúdo digital, com foco em posicionamento nos mecanismos de busca, análise de desempenho e desenvolvimento de pautas orientadas por dados.

Você tem WhatsApp ou Telegram? É só entrar em um dos grupos do Portal 6 para receber, em primeira mão, nossas principais notícias e reportagens. Basta clicar aqui e escolher.

+ Notícias