Sucessão de pai para filho surge como alternativa para manter comércios de pé em Goiás: ‘continuidade do trabalho’
Estudo aponta que apenas 36% das empresas familiares no Brasil chegam à segunda geração, mas setor goiano aparece na contramão da tendência

Quem empreende sabe que existem muitos desafios a serem superados para manter um negócio de pé, e nas companhias familiares isso não é diferente.
De acordo com a 12ª Pesquisa Global de Empresas Familiares, divulgada pela PwC Brasil em 2026, os principais obstáculos envolvem incertezas econômicas, mudanças na legislação e nos fornecedores, e escassez de funcionários.
Além disso, aparece como desafio comum manter o alinhamento da empresa entre quem está dentro da família e quem chega como investidor externo.
O cenário lida diretamente com a sucessão. Segundo uma edição anterior do mesmo levantamento, apenas 36% das empresas familiares são passadas à 2ª geração.
Em Goiás, as lojas de construção aparecem como exemplo deste contexto. Seja em Goiânia, Piracanjuba ou Quirinópolis, elas conseguem representar um legado que passa de pai para filho.
Na capital, a Rede da Construção Pacheco Independência conseguiu expandir o negócio por meio dessa sucessão. Cláudio e os filhos, Thiago e Cláudio Filho, contam que os dois cresceram brincando no comércio.
Com o passar do tempo, começaram a se interessar pela área, ganharam funções durante as férias de adolescência e, eventualmente, integraram a equipe oficialmente.
O arranjo permitiu que a loja explorasse novos cenários e abrisse mais três unidades, em Goiânia, Piracanjuba e Goiatuba. Os filhos, hoje com 35 e 36 anos, atuam na gestão das filiais, e avaliam que conseguem manter uma boa troca de experiências.
“Meu pai tem um conhecimento muito grande sobre o mercado, então qualquer dúvida a gente tira com ele. Agora, o contrário também acontece. A gente, com um pouco mais de conhecimento em tecnologia e gestão, também é bastante consultado por ele. É uma troca mútua de experiência”, diz Thiago.
Ele defende que assumir o empreendimento do pai causa o sentimento de orgulho e acompanha “o dever de deixar as pegadas dele no mercado”.
A Rede da Construção Jarina, também em Goiânia, é outro exemplo do cenário. Ela foi fundada em 1990, por Antonio Garcia, e hoje segue nas mãos do filho dele, Bruno.
A família conta que o estabelecimento surgiu como uma alternativa quando o mais velho perdeu o emprego que tinha. O filho o acompanhava na rotina, tentando imitar o que acontecia na loja com caminhões de brinquedo.
Ele decidiu seguir no comércio depois de terminar a faculdade, quando o pai conseguiu voltar ao trabalho que exercia antes de abrir o negócio. O fundador deixou de participar oficialmente, mas ainda segue visitando o espaço.
Bruno avalia que continuar a empresa transforma o que começou como uma iniciativa durante um momento difícil em um projeto familiar com perspectivas de futuro. Considera que o principal desafio é honrar a confiança depositada pelo pai.
Mesma tendência no interior
Algo semelhante se passou em Quirinópolis, no Sul goiano, com a Rede de Construção Depósito Tijolão. A empresa começou em 1987, depois que o pai de Angel Alves se mudou para a cidade.
À época, as entregas ainda eram feitas de carroça, e os computadores pareciam uma realidade distante. O filho já acompanhava a rotina do estabelecimento, brincando nos espaços usados para armazenar madeira.
Angel percebeu que queria continuar no setor durante a adolescência e, hoje, convive com o pai e a esposa no ambiente de trabalho.
Avalia que herdou da família ensinamentos “sobre honestidade, ser correto nas coisas, trabalhar da forma certa, atender as pessoas da melhor maneira possível e saber o que você está vendendo e o que está ganhando”.
Em Itapuranga, quem exemplifica o contexto é a Rede da Construção DiCasa, que foi fundada em 2008 pelos pais de Gustavo Dias. Na época, ele tinha 12 anos e participava da contagem do estoque, separando parafusos e porcas.
Atualmente trabalhando efetivamente no comércio, ele explica que a relação familiar com o setor começou ainda antes, com o avô materno, que já atuava na área desde a década de 1980.
O interesse passou do avô para a mãe, e depois para o neto. Pontua entre os legados recebidos: “os valores que eles me passaram estão relacionados ao compromisso com o trabalho e à honestidade”.
Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!







