Sob risco de desaparecer, país anuncia que vai mudar de nome

Pressionado por ameaças ao território e por marcas deixadas ao longo de sua história, pequeno país do Pacífico busca reforçar a própria identidade

Gustavo de Souza Gustavo de Souza -
Sob risco de desaparecer, país anuncia que vai mudar de nome
(Foto: U.S. Department of Energy / Atmospheric Radiation Measurement Program)

Uma pequena nação do Pacífico tenta preservar mais do que seu território em um momento de crescente pressão ambiental. Enquanto áreas costeiras ficam mais expostas à elevação do nível do mar, o país também decidiu recuperar uma denominação ligada à própria língua e à identidade nacional.

Trata-se da República de Naoero — novo nome do país antes conhecido como Nauru. A alteração foi aprovada pelo Parlamento em maio de 2026, e o governo comunicou às Nações Unidas, em 26 de junho, que a nova denominação passaria a ser adotada internacionalmente.

Nome recupera identidade local

Segundo o governo, “Naoero” corresponde à forma tradicional do nome do país em sua língua nativa. O presidente David Adeang afirmou ao Parlamento que a grafia “Nauru” teria se consolidado ao longo do contato com estrangeiros, devido às dificuldades de reprodução da pronúncia original.

Inicialmente, autoridades anunciaram que a alteração ainda seria submetida a um referendo. A consulta, porém, acabou descartada sob o argumento de que não se tratava da criação de uma nova identidade, mas da retomada de um nome já pertencente à população.

A mudança deverá alcançar documentos, registros oficiais e a representação internacional do país. Embora ocorra em meio à emergência climática, o governo apresenta a decisão principalmente como uma iniciativa de recuperação cultural e histórica.

Território enfrenta pressão climática

O contexto ambiental, no entanto, aumenta o peso simbólico da medida. O plano nacional de adaptação apresentado à Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima aponta riscos de inundação costeira, erosão, secas e redução das terras disponíveis.

Mais de 80% da população vive em zonas costeiras vulneráveis. Ao mesmo tempo, grande parte do interior foi degradada por décadas de mineração de fosfato, o que limita as possibilidades de ocupação.

Para enfrentar o problema, o país desenvolve a Higher Ground Initiative, que prevê recuperar áreas mais elevadas para moradias e infraestrutura. As projeções oficiais não indicam que toda a ilha desaparecerá, mas apontam perdas territoriais e deslocamentos como riscos concretos para as próximas décadas.

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Gustavo de Souza

Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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