Mulher que sofreu parada cardiorrespiratória durante treino em Anápolis viveu sequência de ameaças e conflitos familiares antes de morrer
Relatos e documentos obtidos pelo Portal 6 ajudam a reconstruir o cenário delicado enfrentado por Jenekely antes da morte

Antes de sofrer o mal súbito que terminou com a morte dela, aos 42 anos, Jenekely Morais Santos enfrentava uma sequência de situações delicadas envolvendo a vida familiar. Documentos obtidos pelo Portal 6 mostram que ela chegou a procurar a polícia para relatar ameaças e afirmar que temia pela própria integridade física.
Na denúncia, Jenekely declarou possuir a guarda unilateral dos três filhos. Segundo a versão apresentada por ela, em um final de semana, o pai buscou as crianças e, na devolução, teria levado de volta apenas as duas filhas.
O filho, então com 13 anos, teria permanecido com o pai sem autorização dela. No momento em que procurou a polícia, Jenekely afirmou desconhecer o paradeiro do adolescente.
O documento também registra uma ameaça que, conforme Jenekely, teria sido feita pela atual companheira do ex-marido. Ela contou que a mulher teria afirmado que, caso a encontrasse, “passaria o carro por cima dela”.
Dias depois, outro episódio foi incluído no registro policial. Em 07 de maio de 2026, por volta das 14h20, Jenekely recebeu flores no local de trabalho, entregues por um funcionário de uma floricultura.
Junto ao presente havia um cartão escrito à mão com a mensagem: “Feliz Dia das Mães, para uma mãe maravilhosa, que o filho prefere morar com a madrasta.”
A imagem do cartão também foi obtida pelo Portal 6. Segundo os relatos de familiares, a provocação teria partido da madrasta do adolescente.

(Foto: Reprodução)
“Após ela ler a carta, ela chorou bastante, foi um um baque muito grande para ela, porque foi de uma pessoa que ela nunca teve um contato, né? Nunca debateu nem nada.”, contou uma familiar em entrevista ao Anápolis Notícias.
Ainda no boletim, Jenekely informou possuir medida protetiva contra o ex-companheiro e afirmou que a atual companheira dele continuava a persegui-la e perturbá-la. Ao procurar a Central de Flagrantes, ela pediu providências e declarou temer pela própria segurança.
Piorando a situação, pouco tempo antes a mulher revelou estar bastante abalada por ter descoberto que o próprio filho havia a bloqueado nas redes sociais.
Os episódios mostram o cenário de tensão relatado por Jenekely nos meses anteriores à morte. Não há, porém, elementos que permitam relacionar esses conflitos ao problema de saúde que provocou o óbito.
Jenekely passou mal na noite de segunda-feira (10), enquanto treinava na Bluefit, em Anápolis. Pessoas que estavam no local perceberam que ela apresentava sinais de uma possível parada cardiorrespiratória.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado pouco antes das 21h30, prestou os primeiros socorros e encaminhou a mulher ao Hospital Estadual de Anápolis Dr. Henrique Santillo (Heana).
Familiares confirmaram a morte na manhã de terça-feira (11) e informaram que Jenekely sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico. Nas redes sociais, parentes a descreveram como “uma pessoa maravilhosa”.
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