Goiás alia planejamento estratégico e engajamento comunitário para proteger o Cerrado

Plano estadual estabelece metas de conservação até 2029; no Nordeste goiano, projeto pioneiro remunera moradores para atuarem na prevenção a incêndios florestais

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Goiás alia planejamento estratégico e engajamento comunitário para proteger o Cerrado
(Foto: Divulgação)

Para além das ações emergenciais de combate ao fogo durante a estiagem, o Estado de Goiás trabalha com foco no futuro. Com a elaboração do Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento, Queimadas e Incêndios Florestais (PPCDQIF), a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) estabeleceu diretrizes e metas rigorosas para a proteção da vegetação nativa entre 2026 e 2029.

O plano atua em quatro frentes principais: atividades produtivas sustentáveis, monitoramento ambiental, regularização fundiária e instrumentos normativos. A estratégia parte do princípio de que a preservação do bioma exige não apenas fiscalização ostensiva, mas também inteligência tecnológica e a valorização de quem vive na região.

No eixo de monitoramento, as metas são contundentes. O Estado de Goiás projeta embargar 100% das áreas desmatadas ilegalmente no estado até 2028 e aumentar em 50% a apreensão de maquinários usados em crimes ambientais. Para alcançar esses índices, o Estado prevê a criação de um Núcleo de Inteligência Ambiental até 2027 e a disponibilização de ferramentas de geoprocessamento (Siga GeoApoio) aos municípios, automatizando a detecção e a punição de infrações.

A grande inovação da política ambiental goiana, no entanto, está no engajamento da sociedade. Reconhecendo que o Nordeste goiano concentra as áreas mais vulneráveis e extensas do Cerrado, o Estado de Goiás lançou o projeto PSA Brigadas. A iniciativa é baseada no conceito de Pagamento por Serviços Ambientais, remunerando moradores de municípios como Cavalcante, Teresina de Goiás, Nova Roma, São Domingos, Alto Paraíso de Goiás e Colinas do Sul para atuarem como verdadeiros guardiões da natureza.

Por meio do PSA Brigadas, os moradores aprovados no curso de formação técnica do Corpo de Bombeiros (CBRIC) recebem R$ 267,24 por turno de até 12 horas dedicadas ao monitoramento, prevenção e apoio no combate inicial ao fogo. Cada participante pode realizar até 15 turnos mensais. Mais do que garantir uma primeira resposta rápida e eficiente contra as chamas, a iniciativa fortalece a economia local, gerando renda para as comunidades na estação mais crítica do ano.

O plano de prevenção também fomenta a economia verde ao incentivar cadeias produtivas da sociobiodiversidade. Até 2028, a proposta é implementar selos de certificação para produtos regionais e expandir o pagamento por serviços ambientais para comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas que ajudam a manter a floresta em pé.

Com investimento em inteligência, endurecimento contra crimes ambientais e apoio financeiro às comunidades locais, o Estado de Goiás constrói hoje as bases para um Cerrado mais forte, sustentável e protegido para as próximas gerações.

Gabinete de Ações Integradas

Para ampliar a capacidade de prevenção, resposta imediata e coordenação das ações de combate aos incêndios florestais, o Estado de Goiás lançou, em 18 de agosto, o Gabinete de Ações Integradas (GAI), voltado ao enfrentamento dos efeitos associados ao Super El Niño.

A estrutura reúne, de forma articulada, secretarias, agências, órgãos de segurança pública e demais entidades estaduais envolvidas na gestão dos impactos climáticos, sob coordenação da Defesa Civil Estadual e do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás (CBMGO). O GAI fortalece a integração entre monitoramento, planejamento, mobilização de equipes e emprego de recursos, permitindo respostas mais rápidas e coordenadas diante de situações críticas.

Durante o lançamento, também foram apresentadas as diretrizes do Plano de Contingência Estadual – Plancon Estiagem 2026, instrumento que define responsabilidades institucionais, protocolos de atuação integrada e mecanismos para mobilização de recursos humanos, logísticos e operacionais em cenários de emergência, reforçando a capacidade do Estado para enfrentar incêndios florestais, estiagem severa e outros impactos decorrentes das condições climáticas extremas.

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