Mário Quintana, poeta brasileiro: “O tempo é a única coisa que não se pode recuperar, e por isso mesmo é a mais democrática de todos
Reflexão atribuída ao poeta brasileiro chama atenção por transformar algo comum do dia a dia em uma pergunta sobre a forma como vivemos.

Dinheiro perdido pode ser recuperado. Um objeto quebrado, em muitos casos, pode ser substituído. Até uma oportunidade desperdiçada pode, eventualmente, dar lugar a outra.
Com o tempo, porém, a lógica é diferente.
Uma frase que circula atribuída ao poeta brasileiro Mário Quintana resume essa percepção ao afirmar: “O tempo é a única coisa que não se pode recuperar, e por isso mesmo é a mais democrática de todas”.
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A reflexão chama atenção justamente porque coloca todas as pessoas diante da mesma condição: independentemente de dinheiro, profissão ou posição social, ninguém consegue guardar uma hora para utilizá-la novamente depois.
Aquilo que não volta
Quando alguém decide passar uma tarde trabalhando, descansando, encontrando amigos ou simplesmente olhando o celular, existe algo em comum entre todas essas escolhas: aquele período não poderá ser vivido uma segunda vez.
É nesse ponto que a mensagem ganha força.
Mais do que falar sobre relógios ou idade, ela convida a pensar sobre prioridades e sobre a maneira como cada pessoa distribui os próprios dias.
É comum adiar conversas importantes, encontros, planos pessoais e até pequenos momentos de descanso acreditando que haverá uma ocasião melhor mais adiante.
O problema é que o futuro não devolve as horas que ficaram para trás.
Essa preocupação com a passagem do tempo aparece de diferentes formas na própria obra de Quintana. O poeta gaúcho abordava com frequência temas ligados à brevidade da vida, às mudanças e à relação humana com o presente. Estudos sobre sua produção também destacam o tempo entre os assuntos recorrentes de seus poemas.
Uma reflexão que vale para todos
A palavra “democrática” é justamente uma das partes mais provocativas da frase.
Uma pessoa pode comprar conforto, contratar serviços para ganhar algumas horas na rotina ou ter mais liberdade para organizar os próprios compromissos.
Ainda assim, um dia continua tendo a mesma duração para todos.
Ninguém consegue comprar de volta a infância, retornar a uma conversa exatamente como ela aconteceu ou acrescentar mais alguns minutos a um momento que terminou.
A reflexão, portanto, não precisa ser encarada como um chamado para transformar cada minuto em produtividade.
Também existe valor em descansar, não fazer nada, conversar sem pressa ou simplesmente aproveitar a companhia de alguém.
A questão está menos em “usar bem” cada segundo e mais em perceber para onde o tempo está indo.
Quintana escreveu muito sobre o tempo
Mário Quintana nasceu em Alegrete (RS), em 30 de julho de 1906, e construiu uma trajetória como poeta, jornalista e tradutor. Seu primeiro livro, A Rua dos Cataventos, foi publicado em 1940.
Ao longo da carreira, tornou-se conhecido pela capacidade de transformar situações comuns em reflexões curtas, muitas vezes marcadas pelo humor, pela ironia e pela simplicidade.
O tempo aparece repetidamente nesse universo.
Em um dos pensamentos registrados em sua obra, Quintana escreveu que “o tempo é a insônia da eternidade”, exemplo de como o poeta conseguia transformar um conceito abstrato em poucas palavras.
Há, porém, uma ressalva importante sobre a frase que dá título a esta matéria.
Embora ela circule na internet atribuída a Mário Quintana, não foi possível confirmar, nas fontes de referência consultadas, em qual livro, poema ou texto original do escritor essa formulação aparece.
Isso não diminui a reflexão contida na mensagem, mas recomenda cautela ao apresentá-la como uma citação documentalmente comprovada do poeta.
O próprio Portal 6 já adota esse cuidado em matérias sobre frases cuja autoria não pode ser confirmada, diferenciando pensamentos comprovadamente registrados daqueles apenas atribuídos a determinada personalidade.
No fim, independentemente da origem exata, a ideia deixa uma provocação simples: enquanto muitas coisas podem ser refeitas, substituídas ou conquistadas novamente, o tempo utilizado hoje não estará disponível amanhã.
E talvez seja justamente por isso que prestar atenção ao presente faça tanta diferença.
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