Escola em tempo integral, novos concursos e investimento na UEG: o que propõem os candidatos ao Governo para a Educação em Goiás
Projetos incluem diversas etapas do ensino, da primeira infância à educação profissional e ao ensino superior

O primeiro turno das eleições de 2026 em Goiás se aproxima e, a cada dia que se passa, os planos de governo dos candidatos ao governo estadual são postos mais e mais à prova. E entre os temas mais sensíveis para o eleitorado goiano está o da educação pública.
Nos planos apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os candidatos Daniel Vilela (MDB), Marconi Perillo (PSDB), Wilder Morais (PL) e Luís Cesar Bueno (PT) apresentam diferentes diagnósticos sobre os desafios da educação em Goiás e propostas distintas para o desenvolvimento do setor.
As medidas abrangem diversas etapas do ensino, da primeira infância à educação profissional e ao ensino superior.
O Portal 6 analisou as propostas definidas nos planos de governo dos quatro candidatos, listados com as maiores taxas de intenção de votos pela Paraná Pesquisas/Portal 6 do dia 18 de agosto, divididas por eixos estratégicos comuns. Confira:
Educação em tempo integral
A expansão e o formato das escolas de tempo integral são pontos em comum entre os candidatos, embora com abordagens e metas específicas.
Governador e postulante à reeleição, Daniel Vilela (MDB) propõe o fortalecimento da Política Estadual de Educação Integral por meio da expansão qualificada das escolas em tempo integral em todas as regionais de ensino.
O plano foca na modernização da infraestrutura, conectividade de alta velocidade, alimentação nutricional equilibrada, transporte e na articulação entre o Ensino Médio Integral e a Educação Profissional e Tecnológica (EPT).
O tucano Marconi Perillo (PSDB) assume o compromisso de expandir progressivamente a oferta de tempo integral até 2030, condicionando a ampliação à demanda das famílias, à estrutura das escolas e às necessidades regionais.
A proposta prevê a articulação da aprendizagem com atividades culturais, esportivas, científicas e tecnológicas.
Senador por Goiás, Wilder Morais (PL) também defende a ampliação do tempo integral nas escolas, priorizando onde houver maior vulnerabilidade social, demanda das famílias (mães que trabalham) e espaço físico para expansão.
O plano enfatiza que a jornada deve focar no reforço da aprendizagem, esporte, cultura e tecnologia, evitando a mera permanência física no prédio escolar, além de prever a publicação dos custos por aluno e dos índices de abandono.
Já Luís Cesar Bueno (PT) apresenta a meta de atingir entre 350 e 370 escolas estaduais de tempo integral ao final do mandato (uma expansão de aproximadamente 90 a 110 novas unidades ou conversões).
O plano estabelece que nenhuma escola será convertida apenas por decreto, exigindo um Plano de Adequação prévio. A jornada prevê três refeições e integração com a educação profissional regionalizada.
Valorização dos profissionais da educação
A carreira docente e as condições de trabalho dos servidores da educação são tratadas sob diferentes perspectivas de gestão e benefícios.
Daniel propõe a manutenção da valorização remuneratória, a abertura de concursos públicos para recomposição do quadro efetivo e a implementação da Política Estadual de Saúde, Bem-Estar e Qualidade de Vida dos Profissionais da Educação, além do fortalecimento do Centro de Estudo, Pesquisa e Formação dos Profissionais da Educação (Cepfor) para formação continuada.
Marconi também defende a realização de novos concursos públicos e com a retomada da titularidade dos professores, reconhecendo a qualificação e o aperfeiçoamento profissional para a evolução na carreira.
O plano foca na reconstrução de uma relação de diálogo e confiança entre o Estado e a categoria.
Wilder descreve a proposta de valorizar os professores por meio de formação prática, apoio à gestão e reconhecimento atrelado aos resultados de aprendizagem, inclusão e permanência dos alunos.
Também apresenta a proposta “Professor com mais tempo”, que tem por objetivo revisar e eliminar a duplicidade de relatórios e cadastros administrativos para liberar os docentes para o foco pedagógico.
O plano de Luís Cesar foca na compatibilização da expansão escolar com o quadro docente e as condições de trabalho. Propõe formação específica para tutoria, educação profissional, tecnologia e gestão de jornada ampliada para professores e gestores.
Tecnologia e IA nas escolas
A inserção de ferramentas digitais no ambiente escolar também é defendida por todos os candidatos, com destaque para o uso ético e o suporte ao professor.
Sob a diretriz “Goiás Inteligente”, Daniel Vilela propõe a aceleração da transformação digital com internet de alta velocidade e o uso pedagógico de IAs para monitoramento contínuo do desempenho escolar.
As ferramentas também seriam usadas para diagnóstico precoce de defasagens e apoio ao planejamento docente, além de expandir o ensino de robótica.
Já Marconi defende a modernização tecnológica e a retomada do modelo das “Escolas Século XXI”, incorporando robótica, programação e inteligência artificial.
O plano ressalta que a tecnologia deve ter finalidade pedagógica e servir como instrumento de apoio, sem substituir a relação direta entre professor e estudante.
Wilder Morais quer ensinar os estudantes a utilizarem a IA como suporte para pesquisa e resolução de problemas, combatendo fraudes e desinformação.
Prevê também a formação prática e ferramentas seguras com revisão humana para os professores, aplicando projetos a desafios locais de Goiás (como agro e saúde).
Por sua vez, Luís Cesar quer a instalação de laboratórios digitais voltados para programação, tecnologia, IA e cultura digital dentro da estrutura das escolas de tempo integral, garantindo acessibilidade e conectividade em 100% das novas unidades.
Ensino profissionalizante e conexão com o mercado
A preparação dos jovens para o mercado de trabalho por meio de cursos técnicos é detalhada com foco nas vocações regionais.
O governador Daniel Vilela propõe alinhar os cursos da Educação Profissional e Tecnológica (EPT) às vocações produtivas regionais, como agrotecnologia, inovação digital e serviços.
Ele também destaca a transformação do Centro Profissionalizante Paulo Vargas em Serviço Social Autônomo (SSA) para agilizar a formação de talentos em setores estratégicos.
Marconi Perillo quer fortalecer a rede de ITEGOs e COTECs e consolidar a Escola do Futuro.
No ensino médio, planeja criar o “Programa Aluno Empregado”, voltado a aproximar os jovens do mercado de trabalho e oferecer a primeira experiência profissional de forma compatível com os estudos.
Wilder Morais defende a expansão de itinerários técnicos e cursos de curta duração baseados nas vagas efetivas das empresas locais.
O senador também propõe o compartilhamento de laboratórios com Institutos Federais, Sistema S, UEG e setor produtivo, além de publicar dados de empregabilidade pós-curso.
Ao mesmo tempo, Luís Cesar apresenta uma divisão regionalizada de formações prioritárias integradas ao ensino médio, por exemplo, com foco em tecnologia e economia criativa na Região Metropolitana; agro e mineração no Norte/Noroeste; agroindústria e agritech no Sudoeste.
Propostas para a UEG
O papel da UEG no desenvolvimento regional e a estrutura de financiamento são outros destaques nos planos de governo.
Daniel propõe a estruturação definitiva dos campi, a abertura de concursos públicos essenciais e a valorização do corpo docente e administrativo.
O foco é destinar fomento para expandir a graduação e a pós-graduação, conectando a pesquisa às demandas dos arranjos produtivos locais.
Marconi se compromete a restabelecer a vinculação constitucional de 2% da receita líquida do Estado destinada à UEG, visando assegurar estabilidade financeira e autonomia. Propõe também ampliar as unidades e a oferta de cursos conforme as vocações regionais.
Wilder quer integrar a UEG com o ensino médio e técnico por meio do compartilhamento de laboratórios e da conexão com as setores produtivos e econômicos regionais, servindo como ponte para o estudante após a conclusão da educação básica.
Já o plano de Luís Cesar propõe aproximar a universidade da escola pública por meio do estímulo a uma rede de extensão e inovação envolvendo a UEG e outras instituições federais (UFG, UFCAT, UFJ, IFG, IF Goiano), focando em iniciação científica, robótica e empreendedorismo.
Primeira infância e alfabetização
Nos planos dos governadoriáveis, as estratégias para garantir a alfabetização na idade certa e o apoio aos municípios variam entre cooperação federativa e programas de recuperação.
Daniel quer fortalecer o regime de colaboração com os municípios para expandir a educação infantil e consolidar a alfabetização como política de Estado.
O governador também prevê a formação continuada de professores em alfabetização e alfabetização matemática, além de apoio técnico e monitoramento de resultados.
Marconi estabelece como compromisso garantir a alfabetização na idade adequada por meio do fortalecimento de políticas de recomposição das aprendizagens e acompanhamento individualizado.
O tucano apresenta metas progressivas de melhoria do IDEB, com foco em Língua Portuguesa, Matemática e Ciências.
Wilder foca no reforço escolar em alfabetização, língua portuguesa e matemática com diagnósticos individuais por estudante e recuperação contínua ao longo do ano letivo.
Defende também a aplicação de avaliações diagnósticas curtas no início do período letivo para corrigir defasagens imediatamente.
Luís Cesar propõe a definição de metas anuais de Português e Matemática dentro do programa de tempo integral, usando a avaliação de aprendizagem para orientar as intervenções pedagógicas e reduzir o abandono escolar.
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