Vila com apenas 40 moradores procura novas famílias, oferece casa sem aluguel e emprego fixo para quem aceitar viver por pelo menos 5 anos no local
Pequeno povoado espanhol lançou iniciativa para combater o despovoamento e recebeu milhares de contatos de interessados

Trocar o trânsito, o aluguel caro e a correria das grandes cidades por uma casa em um pequeno vilarejo europeu parece cenário de filme.
Em Arenillas, na Espanha, essa possibilidade chegou a se tornar realidade.
Com pouco mais de 40 moradores durante boa parte do ano, o pequeno município da província de Sória lançou uma iniciativa para atrair uma nova família e combater um problema que atinge diversas localidades do interior espanhol: a falta de habitantes.
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E a proposta chamou atenção porque colocava na mesa três coisas difíceis de ignorar: moradia sem aluguel, trabalho e uma vida completamente diferente daquela encontrada nos grandes centros.
Casa gratuita e trabalho
A iniciativa surgiu depois que uma das sete casas municipais recuperadas pelo projeto de repovoamento ficou disponível.
Segundo a imprensa local, a família escolhida poderia morar no imóvel sem pagar aluguel.
Além disso, havia uma oportunidade de trabalho como pedreiro, ligada à manutenção e recuperação de construções da região.
A proposta ainda incluía outra responsabilidade bastante peculiar: assumir a gestão do bar social da vila.
O estabelecimento funciona como um dos principais pontos de encontro dos moradores e tem importância especial em uma comunidade tão pequena.
Família com crianças era prioridade
Não bastava simplesmente querer morar de graça na Espanha.
O município buscava especificamente uma família com filhos em idade escolar, justamente porque a chegada de crianças ajuda a manter serviços e a própria vida comunitária da região.
Para facilitar a rotina, havia transporte escolar gratuito até Berlanga de Duero, cidade localizada a cerca de 20 quilômetros de Arenillas.
Mais do que preencher uma casa vazia, a intenção era encontrar pessoas realmente dispostas a fazer parte da comunidade.
Oferta virou fenômeno
O que provavelmente nem a prefeitura esperava era o tamanho da repercussão.
Nos primeiros dias, pouco mais de uma centena de famílias já havia demonstrado interesse.
Depois que o caso viralizou nas redes sociais e ganhou repercussão internacional, a prefeitura passou a receber contatos de diversas partes do mundo.
Em abril, a prefeita Sonia Tobaruela afirmou à Cadena SER que o município já havia recebido entre 7 mil e 8 mil mensagens e solicitações.
Havia interessados da América do Sul, Alemanha, Marrocos, Argélia e até Emirados Árabes.
O volume ficou tão grande que a prefeitura decidiu interromper o recebimento de novas candidaturas.
Vida no interior não é tão simples quanto parece
Arenillas pode parecer um refúgio para quem está cansado da vida urbana, mas a própria prefeitura fazia questão de mostrar aos candidatos que morar por lá exigia adaptação.
A região possui menos serviços que uma cidade grande, além de enfrentar invernos mais difíceis e longas distâncias para algumas atividades do cotidiano.
Por isso, os interessados eram orientados a conhecer pessoalmente o povoado antes de assumir qualquer compromisso.
A ideia era evitar que alguém se mudasse atraído apenas pela casa gratuita e desistisse pouco tempo depois.
Vila luta há décadas para continuar viva
A iniciativa não surgiu do nada.
Arenillas trabalha há décadas para evitar o esvaziamento da população, em parceria com moradores e com a associação cultural local.
Sete imóveis municipais chegaram a ser recuperados para receber famílias a preços acessíveis ou dentro de projetos de repovoamento.
No verão, a população pode aumentar bastante por causa de atividades culturais e da chegada de visitantes, mas são os moradores permanentes que garantem a continuidade da comunidade durante o restante do ano.
O caso mostra como pequenos povoados europeus estão tentando encontrar maneiras criativas de sobreviver ao envelhecimento e à saída dos moradores mais jovens.
E, embora aquela seleção específica já tenha encerrado o recebimento de candidaturas, a repercussão deixou uma coisa clara: não falta gente disposta a trocar a cidade grande por uma vida mais simples quando moradia e trabalho entram no pacote
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