Garrafa com bilhete escrito em 1977 é encontrada nas areias do deserto quase 50 anos depois

Uma descoberta inesperada no deserto levou até o nome de um homem que morreu há décadas e revelou uma história difícil de imaginar

Isabella Cavalcante Isabella Cavalcante -
Garrafa com bilhete escrito em 1977 encontrada
(Imagem: Ilustração/Inteligência artificial)

Encontrar uma garrafa antiga em meio ao deserto já seria uma descoberta curiosa. Porém, o objeto escondia algo ainda mais inesperado: um pequeno bilhete escrito à mão em maio de 1977.

A garrafa foi encontrada recentemente no Deserto Ocidental do Egito, na região de Wadi Jadid, durante uma expedição feita pelo guia beduíno Suleiman Zidan. Ele estava explorando a região quando percebeu alguns objetos antigos sobre uma área rochosa e decidiu investigar.

Entre eles estava a garrafa de vidro, parcialmente preenchida com areia. Dentro dela havia um papel que permaneceu protegido durante quase cinco décadas.

O que dizia o bilhete?

O conteúdo era curto, mas trazia pistas suficientes para iniciar uma verdadeira busca pelo passado.

Na folha estavam escritos “May 1977; Tom Moran; Party 6305; ‘Avich’ Bay Street; Malta”, além de um pedido para que qualquer pessoa que encontrasse a mensagem tentasse descobrir informações sobre Tom Moran.

A princípio, aquelas informações pareciam pouco esclarecedoras. O bilhete não indicava sequer uma cidade em Malta. Havia apenas o nome “Avich”, relacionado a uma residência, e a referência à Bay Street.

Mesmo assim, os responsáveis pela descoberta conseguiram seguir as pistas.

A busca levou até a família

Uma consulta a registros antigos ajudou a relacionar o nome e o endereço à cidade de Marsaskala, em Malta.

Depois, os responsáveis pela descoberta recorreram a um grupo de moradores da região nas redes sociais. Foi assim que chegaram até Carmen Rossiter, irmã de Tom Moran.

Quando recebeu uma fotografia do bilhete, Carmen inicialmente pensou que pudesse se tratar de uma brincadeira. Porém, bastou olhar para a escrita para reconhecer imediatamente a letra do irmão.

A descoberta ganhou, então, uma dimensão ainda maior. Não se tratava apenas de uma garrafa antiga encontrada no meio do deserto. Era uma mensagem deixada por uma pessoa que a família conhecia e que havia morrido décadas antes.

Quem era Tom Moran?

Segundo Carmen, Tom Moran trabalhou durante alguns anos no Egito como geofísico de uma empresa norte-americana de exploração de petróleo.

Antes disso, ele havia deixado a escola aos 16 anos e ingressado no Exército britânico. O trabalho o levou a diferentes lugares do mundo, incluindo a Arábia Saudita e Papua-Nova Guiné.

Mais tarde, Moran trabalhou na divisão de exploração de petróleo do governo de Malta. Ele morreu em 1998, aos 54 anos, e não chegou a saber que a mensagem deixada no deserto permaneceria preservada por quase meio século.

Por que o bilhete sobreviveu tanto tempo?

A região onde a garrafa foi encontrada é extremamente remota e seca. O objeto também estava protegido dentro de uma garrafa de vidro, que ajudou a manter o papel isolado das condições externas.

Quando foi localizada, a garrafa estava entre outros vestígios antigos, incluindo um tanque de água de aço rebitado e folhas de palmeira desgastadas pelo tempo.

O guia Suleiman Zidan e seu primo e parceiro de negócios, Ayman Zidan, estavam justamente explorando a região para identificar e mapear antigas rotas usadas por caravanas de camelos.

A descoberta acabou se encaixando perfeitamente nesse trabalho. Em vez de encontrar apenas um objeto antigo, eles encontraram uma pequena pista deixada por alguém que passou pelo deserto décadas atrás.

Uma mensagem que voltou a circular

O mais curioso é que Tom Moran provavelmente não poderia imaginar o caminho que aquelas poucas palavras percorreriam.

Em 1977, seu nome foi colocado em um pedaço de papel dentro de uma garrafa. O objeto permaneceu perdido durante décadas, até ser encontrado por um guia que não tinha qualquer relação com ele.

Depois, a mensagem saiu do deserto e chegou às redes sociais. As informações escritas no papel levaram até Malta e, finalmente, à irmã de Moran.

Assim, quase 50 anos depois, um bilhete que parecia ter desaparecido no meio do deserto conseguiu reencontrar a família do homem que o escreveu.

Mais do que um objeto antigo, a garrafa acabou funcionando como uma pequena cápsula do tempo, conectando uma viagem feita em 1977 a uma descoberta realizada quase meio século depois.

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