Médica é denunciada após orientar que pacientes petistas não recebam alta durante eleição em Goiânia

Mensagem atribuída à profissional cita preferência política dos pacientes e provocou denúncia ao MPF; Cremego pediu esclarecimentos

Lara Duarte Lara Duarte -
Mensagem atribuída à médica motivou denúncia ao MPF e pedido de esclarecimentos por parte do Cremego. (Foto: Ilustração/Agência Brasil/Reprodução)
Mensagem atribuída à médica motivou denúncia ao MPF e pedido de esclarecimentos por parte do Cremego. (Foto: Ilustração/Agência Brasil/Reprodução)

Uma médica ginecologista e obstetra que atua no Hospital e Maternidade Municipal Célia Câmara, em Goiânia, foi denunciada ao Ministério Público Federal (MPF) após supostamente orientar profissionais da unidade a não concederem alta a pacientes durante o fim de semana da eleição.

Segundo reportagem do Portal Centro Norte, a mensagem teria sido enviada na tarde de sexta-feira (2) em um grupo de WhatsApp formado por profissionais do hospital.

“Quem estiver na enfermaria sábado e domingo, não dar alta pra ninguém, a maioria é petista”, diz o texto atribuído à médica. A publicação também teria sido acompanhada por uma figurinha com o rosto do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Até o momento, não há informação de que pacientes tenham efetivamente permanecido internados sem indicação médica em razão da mensagem. A denúncia pede justamente que as circunstâncias sejam apuradas.

Conversa teria começado no dia anterior

Ainda conforme o Mais Goiás, mensagens de teor eleitoral já teriam sido publicadas no mesmo grupo na noite de quinta-feira (1º).

Em uma delas, a profissional teria feito referência ao número 22, utilizado pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), ao comentar sobre o rodízio de funcionários.

A denúncia ao MPF foi apresentada na própria sexta-feira (2) pelo advogado Alan Henrique Silva Marques. Segundo o relato, o conteúdo teria sido encaminhado a ele por um interno de medicina subordinado à profissional, que pediu para não ser identificado.

O documento sustenta que, caso a orientação tenha sido colocada em prática, a conduta poderia ter interferido no direito de voto de pacientes mantidos na unidade sem necessidade médica.

Também é solicitado que sejam apuradas eventual utilização da posição de chefia e da estrutura de uma unidade pública para finalidade político-eleitoral.

Cremego pede esclarecimentos

O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) informou que não comenta casos específicos em apuração, já que procedimentos relacionados à conduta ética de médicos tramitam sob sigilo.

O órgão, porém, afirmou ter solicitado esclarecimentos à profissional. Pelas normas do próprio Conselho, denúncias sobre possíveis infrações éticas podem dar origem a sindicâncias e, caso sejam encontrados indícios suficientes, evoluir para um processo ético-profissional.

A reportagem original informou ainda ter procurado a médica e a Prefeitura de Goiânia, mas não havia obtido resposta até a publicação.

Confira na íntegra a nota do Cremego:

“O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) esclarece que todas as denúncias relacionadas à conduta ética de médicos, recebidas pelo Cremego ou das quais toma conhecimento, são apuradas e tramitam em total sigilo, conforme determina o Código de Processo Ético-Profissional Médico. O Cremego também solicita esclarecimentos ao médico responsável técnico pela instituição citada nas denúncias”.

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Lara Duarte

Lara Duarte

Jornalista e pós-graduanda em Ciência Política, com atuação em jornal impresso, assessoria de comunicação e produção, reunindo experiência em diferentes frentes da comunicação.

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