Sistema Solar pode se desfazer muito antes do que cientistas imaginavam, aponta novo estudo
Simulações indicam que a perda irregular de massa do Sol pode desestabilizar os planetas gigantes muito antes das estimativas tradicionais

O Sistema Solar pode se desfazer muito antes do que estimativas anteriores indicavam. Um novo estudo publicado no The Astrophysical Journal Letters sugere que a arquitetura dos planetas gigantes pode entrar em colapso cerca de 1 bilhão de anos depois de o Sol se transformar em uma anã branca.
Até então, alguns modelos apontavam que Júpiter, Saturno, Urano e Netuno poderiam permanecer em órbitas estáveis por períodos próximos de 10¹⁸ anos.
No novo trabalho, porém, esse horizonte cai drasticamente quando os pesquisadores consideram uma perda de massa solar menos uniforme.
O estudo foi conduzido por Konstantin Batygin, Jim Fuller e Fred C. Adams, ligados ao Caltech e a outras instituições.
O que muda no novo modelo
A principal diferença está na forma como o Sol perderia massa no fim da vida.
Modelos anteriores costumavam tratar esse processo como algo relativamente suave. No entanto, os autores consideraram ejeções mais irregulares e assimétricas, capazes de provocar pequenos “trancos” gravitacionais no sistema.
Com isso, as órbitas dos planetas exteriores passam por mudanças aleatórias ao longo do tempo.
As simulações mostram que, em alguns cenários, cruzamentos de órbitas podem começar ainda durante a fase de gigante vermelha.
Cerca de 40% das simulações apresentaram perturbações severas ou espalhamento violento antes mesmo da formação da anã branca.
Além disso, aproximadamente 90% dos cenários analisados resultaram em desintegração dinâmica dentro de 3 bilhões de anos após essa etapa.
Terra já não estaria mais aqui
Essa possível instabilidade dos planetas gigantes aconteceria muito depois do destino da Terra já estar definido.
O Sol ainda deve permanecer na sequência principal por vários bilhões de anos. Depois, deverá se expandir até virar uma gigante vermelha e, mais tarde, terminar como uma anã branca.
Nesse processo, os planetas interiores ficam em situação muito mais vulnerável. A pesquisa, no entanto, concentrou-se especialmente em Júpiter, Saturno, Urano e Netuno.
Supercomputadores fizeram as simulações
Para chegar às conclusões, os pesquisadores usaram simulações numéricas de N-corpos em supercomputadores.
Eles modelaram o comportamento do Sol e dos quatro planetas gigantes ao longo de bilhões de anos, repetindo o experimento com diferentes padrões de perda de massa.
Assim, o trabalho indica que o Sistema Solar pode se desfazer muito antes do que algumas projeções clássicas sugeriam.
Ainda assim, trata-se de um cenário para um futuro extremamente distante.
O estudo altera a compreensão sobre a estabilidade final do sistema, mas não representa qualquer ameaça à Terra em escalas de tempo humanas.
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