Empresária morre após parto de gêmeos devido a síndrome rara grave em Goiás

Cristiane Rodrigues teve complicações e sofreu uma convulsão. Ela foi transferida de hospital, mas não resistiu

Natália Sezil Natália Sezil -
Empresária Cristiane Rodrigues morreu aos 41 anos devido a complicações da Síndrome de Hellp.
Cristiane Rodrigues morreu aos 41 anos devido a complicações da Síndrome de Hellp. (Foto: Reprodução/G1)

A empresária Cristiane Rodrigues, de 41 anos, morreu após dar à luz gêmeos em Crixás, no Norte de Goiás. Ela sofreu complicações da Síndrome de Hellp, considerada rara e grave.

Cristiane vinha sendo acompanhada no Hospital Municipal de Crixás e planejava fazer o parto em Uruaçu, mas sofreu um pico de pressão de 18 por 12 antes do previsto e precisou ser estabilizada com medicação, segundo divulgado pelo G1.

Para se ter noção, o nível normal é de 12 por 8. A causa era a Síndrome de Hellp, que está associada à hipertensão gestacional. A condição só foi percebida na segunda metade da gravidez.

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Cristiane realizou o parto por cesárea na tarde de sábado (10) e depois convulsionou, apresentando hemorragia e o fígado comprometido.

A equipe médica tentou estabilizar o sangramento enquanto mobilizava uma campanha emergencial por doação de sangue. Apesar disso, ela precisou ser transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Municipal de Uruaçu no final da noite.

A empresária não resistiu e morreu na manhã do último domingo (11). Os gêmeos, Isis e Theo, passam bem.

A morte causou comoção na cidade. A Prefeitura de Crixás emitiu uma nota de pesar onde lamentou a morte da empresária. A Câmara Municipal também, escrevendo: “neste momento de luto e dor, nossos sentimentos e orações estão com a família e os amigos”.

Já Ana Rodrigues Neves descreveu a irmã como “uma pessoa correta, organizada e um elo na família”.

O que é a Síndrome de Hellp

O diagnóstico recebido por Cristiane ganhou atenção no início de 2025, quando a cantora Lexa compartilhou ter perdido a filha pelas condições de pré-eclâmpsia e síndrome de Hellp.

À época, o Portal 6 conversou com a ginecologista Isabela Brait, que atende em Goiânia. Ela explicou que trata-se de um espectro que acontece apenas a partir das 20 semanas de gestação.

Antes disso, a “pressão alta” é considerada hipertensão crônica. Depois, pode ser uma hipertensão gestacional, quando é um aumento leve, ou a pré-eclâmpsia, quando o aumento é acompanhado da disfunção de algum órgão, como o fígado.

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Grávida realiza exame de ultrassom. (Foto: André Borges/Agência Brasil)

A Hellp é uma complicação da pré-eclâmpsia grave. De acordo com a profissional, a chance desse diagnóstico é maior em mulheres que engravidam mais velhas, mas outros fatores também aumentam a probabilidade.

Pacientes obesas, que já têm pressão alta, hipertensão crônica ou diabetes precisam ficar mais atentas, assim como quem faz algum tipo de reprodução assistida ou está grávida de gêmeos.

Níveis de pressão acima de 140 por 90 após as 20 semanas de gestação são motivo para procurar uma avaliação laboratorial.

As indicações para tentar evitar a condição incluem manter uma dieta saudável, evitar o ganho de peso durante a gestação, fazer atividades físicas e não fumar, entre outras. Algumas medicações também são recomendadas, mas sempre com acompanhamento médico.

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Natália Sezil

Natália Sezil

Chegou no Portal 6 como estagiária de jornalismo e foi promovida a repórter. Apaixonada por boas histórias, gosta de ouvir as pessoas, entender contextos e transformar relatos em narrativas que informam e conectam o público.