Ariano Suassuna, escritor brasileiro: “O segredo da vida não é ser otimista nem pessimista, mas enxergar a realidade sem perder a esperança”

Entre esperar que tudo dê certo e acreditar que nada tem solução, o escritor brasileiro encontrou uma terceira maneira de seguir adiante

Isabella Cavalcante Isabella Cavalcante -
ariano suassuna
(Foto: Reprodução/Valter Campanato/ABr)

Nem esperar ingenuamente que tudo termine bem, nem acreditar que qualquer tentativa está condenada ao fracasso. Ariano Suassuna encontrou uma terceira maneira de olhar para as dificuldades e a resumiu em uma expressão que atravessou os anos: ser um “realista esperançoso”.

O escritor brasileiro dizia não se considerar otimista nem pessimista. Para ele, o primeiro poderia cair na ingenuidade, enquanto o segundo corria o risco de permanecer preso à amargura.

“Não sou otimista nem pessimista. O otimista é ingênuo e o pessimista, amargo. Sou realista esperançoso”, afirmava.

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Esperança não significa ignorar os problemas

A força da reflexão está justamente na palavra “realista”. Suassuna não sugeria fechar os olhos diante de perdas, dificuldades financeiras, frustrações profissionais ou qualquer outro problema.

Pelo contrário, a proposta começa pelo reconhecimento de que determinadas situações são realmente difíceis.

Entretanto, enxergar o problema não significa aceitar antecipadamente que nada poderá mudar. Nesse ponto aparece a esperança, não como certeza de sucesso, mas como motivo para continuar tentando.

Uma diferença que aparece nas atitudes

Na prática, o realismo esperançoso pode ser percebido em decisões simples. Quem perde um emprego pode reconhecer a gravidade daquele momento e, ao mesmo tempo, procurar uma nova oportunidade. Quem enfrenta um projeto que deu errado pode analisar os erros sem concluir que nunca conseguirá acertar.

Assim, a esperança deixa de ser apenas pensamento positivo e passa a conviver com ação, planejamento e consciência dos limites.

A própria trajetória de Ariano Suassuna ajuda a dar peso à ideia. Ainda criança, ele perdeu o pai e enfrentou dificuldades familiares, mas construiu uma carreira marcada pelo humor, pela literatura e por uma profunda ligação com a cultura brasileira.

Talvez esteja aí o principal sentido da reflexão: amadurecer não exige fingir que a vida é fácil. Às vezes, basta enxergar claramente aquilo que está diante dos olhos e, mesmo assim, encontrar algum motivo para continuar caminhando.

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Isabella Cavalcante

Isabella Cavalcante

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e estagiária do Portal 6. Atua na equipe desde agosto de 2026.

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