Morador troca fogão a gás por modelo de indução para modernizar a cozinha e descobre que precisa fazer uma mudança na instalação elétrica
Adaptação da fiação e compra de panelas compatíveis podem encarecer a troca do fogão a gás

O arquiteto Carlos Eduardo Menezes, 44, reformou a cozinha do apartamento em Niterói e decidiu tirar o fogão a gás de vez. Comprou um cooktop de indução de quatro zonas por R$ 2.100, pensando em limpeza fácil e em dispensar o botijão.
No dia da instalação, o eletricista abriu o quadro de luz, balançou a cabeça e deu a notícia: o fio que chegava à cozinha não aguentava o aparelho.
“Eu tinha orçado o cooktop e as panelas novas, que foram R$ 600. A parte elétrica só apareceu na hora, e custou R$ 1.900. Quase dobrou o gasto”, conta Carlos.
Por que a indução exige mais da rede elétrica
O cooktop de indução aquece a panela por campo magnético e usa potência alta. Modelos de quatro bocas costumam ficar entre 6.000 W e 7.500 W, o que, segundo guias de compra, pede rede de 220 V, disjuntor dedicado de cerca de 40 A e fio de 6 mm² em um circuito exclusivo.
Outros guias falam em disjuntores de 20 A a 40 A, conforme a potência, por isso o dado certo é o do manual do aparelho.
Ligar o cooktop em uma tomada comum, de 10 A ou 20 A, pode superaquecer a fiação e derrubar o disjuntor. A maioria dos manuais ainda condiciona a garantia ao circuito próprio, e a Electrolux, por exemplo, orienta que a instalação seja feita por especialista.
Quanto custa a troca
Levantamentos de 2026 apontam que aparelho, panelas compatíveis e circuito exclusivo somam de R$ 2.300 a R$ 13 mil.
Só o circuito, com cabos, proteção e mão de obra, vai de R$ 800 a R$ 4.500, dependendo da distância até o quadro e do estado da fiação.
Uma instalação intermediária fica entre R$ 3.000 e R$ 5.500 e pode passar de R$ 8.000 se for preciso trocar quadro e bancada. Quando o circuito e o disjuntor já existem, a mão de obra custa entre R$ 150 e R$ 300.
As panelas também pesam no orçamento, porque só funcionam as de fundo magnético. Quem quer testar a indução antes de fazer obra pode começar com um modelo portátil.
Como evitar o susto
O ideal é chamar um eletricista antes da compra, para avaliar quadro e fiação, e conferir no manual a potência e o disjuntor do modelo escolhido.
Ao pedir orçamento, vale exigir que ele descreva circuito, cabo, proteção e percurso, e não apenas “ponto para cooktop”. Em apartamento, também é preciso consultar o condomínio sobre a capacidade da rede do prédio.
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