Epecialistas em psicologia explicam: “Quando as crianças saíam de casa com dinheiro contado para comprar pão na padaria, os pais ensinavam autonomia, confiança e responsabilidade com uma tarefa simples”

Dinheiro contado no bolso, um pedido para memorizar e o troco na volta transformavam uma missão cotidiana em muito mais do que uma simples compra

Isabella Cavalcante Isabella Cavalcante -
criança comprando pão
(Imagem: Ilustração/Inteligência artificial)

Para muitas pessoas que cresceram décadas atrás, receber algumas moedas dos pais e ir até a padaria comprar pão fazia parte da rotina. O que parecia uma missão simples também reunia pequenas oportunidades de desenvolver autonomia infantil, atenção e responsabilidade.

A criança precisava lembrar o pedido, cuidar do dinheiro, conversar com o atendente, conferir o troco e voltar para casa com aquilo que havia sido solicitado.

Pequenas tarefas exigiam várias habilidades

Um estudo publicado no Australian Occupational Therapy Journal ajuda a entender por que responsabilidades cotidianas podem contribuir para o desenvolvimento.

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Pesquisadores da La Trobe University avaliaram informações sobre 207 crianças de 5 a 13 anos. A participação em tarefas de autocuidado e de ajuda à família apresentou associação com melhores indicadores de memória de trabalho e controle inibitório.

Essas funções ajudam a lembrar instruções, manter a atenção no objetivo e controlar distrações.

Na ida à padaria, por exemplo, a criança precisava guardar mentalmente quantos pães comprar e administrar o valor entregue pelos pais. Caso faltasse um produto ou o dinheiro não fosse suficiente, ainda poderia surgir a necessidade de lidar com um pequeno imprevisto.

Confiança também fazia parte da tarefa

Além das habilidades práticas, entregar uma responsabilidade possível para a idade podia transmitir uma mensagem importante: “eu acredito que você consegue”.

Ao completar a missão, a criança percebia que sua participação tinha utilidade dentro da família. Aos poucos, experiências desse tipo podiam ampliar a sensação de competência e independência.

Isso não significa, porém, que crianças devam atualmente ir sozinhas à rua apenas para repetir um costume antigo.

Trânsito, distância, segurança do bairro, idade e maturidade precisam ser considerados. A autonomia infantil pode ser desenvolvida de outras formas, como ajudar nas compras, conferir valores ao lado de um adulto, organizar a própria mochila ou assumir pequenas tarefas domésticas.

O aprendizado, portanto, não estava necessariamente na padaria. Estava em receber uma responsabilidade compatível com a idade, perceber a confiança dos adultos e descobrir, aos poucos, que era capaz de resolver pequenas tarefas por conta própria.

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Isabella Cavalcante

Isabella Cavalcante

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e estagiária do Portal 6. Atua na equipe desde agosto de 2026.

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