Sítio arqueológico escondido em serra de Goiás reúne figuras gravadas em pedra e ruínas de capela construída em 1748

A serra ligada ao surgimento de uma das cidades mais antigas de Goiás preserva vestígios indígenas e coloniais que ainda estão sendo estudados antes de receber uma rota estruturada de visitação

IGREJA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO
Igreja Nossa Senhora do Rosário – Jaraguá (Foto: Reprodução/Prefeitura de Jaraguá)

Antes de ruas, igrejas e casarões definirem o núcleo urbano, uma serra do Centro de Goiás já concentrava ocupações indígenas, mineração e os primeiros assentamentos coloniais da região. Parte dessa história continua preservada em pedras gravadas e estruturas que sobreviveram apenas como vestígios arqueológicos.

O lugar é Jaraguá, cuja formação está ligada à mineração de ouro no século XVIII. Dentro do Parque Estadual da Serra de Jaraguá, o Sítio Arqueológico de São Januário reúne evidências capazes de contar uma história anterior e paralela à própria cidade.

Pedras guardam figuras humanas gravadas

Um dos elementos mais importantes do complexo é o chamado Petroglifo de São Januário, formação rochosa onde pesquisas identificaram gravuras com representações antropomorfas, isto é, figuras semelhantes a formas humanas.

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Estudos arqueológicos realizados na área também encontraram materiais associados a grupos horticultores com características indígenas. As gravuras passaram a integrar o patrimônio arqueológico oficialmente registrado e protegido.

Pesquisas acadêmicas indicam que o local foi estudado arqueologicamente na década de 1990 e reforçam que São Januário reúne diferentes camadas de ocupação, indígenas e coloniais.

Ruínas ajudam a contar o início de Jaraguá

Ruínas de pedra no Sítio de São Januário
Ruínas de pedra no Sítio de São Januário
Ruínas de pedra no Sítio de São Januário
Ruínas de pedra no Sítio de São Januário

O mesmo sítio preserva vestígios da Capela de São José, associada aos primeiros assentamentos da região e a uma antiga fazenda de engenho ligada à mineração e às atividades agrícolas.

A página oficial do parque relaciona a capela ao ano de 1748. Há, porém, uma questão histórica importante: trabalhos acadêmicos distinguem a capela existente em São Januário da Igreja de Nossa Senhora da Penha, também relacionada a São José e cuja construção em 1748 aparece de maneira mais clara na documentação.

O consenso é que São Januário representa uma das áreas fundamentais para compreender a ocupação colonial de Jaraguá, inclusive por reunir vestígios de engenho, capela e outras estruturas antigas.

Sítio ainda está sendo mapeado

Apesar de aparecer entre os atrativos do Parque Estadual, o sítio arqueológico ainda não possui uma rota turística formalmente consolidada.

As informações oficiais disponíveis em 2026 indicam que o Iphan realiza o mapeamento do complexo para estabelecer uma futura rota de visitação. O próprio instituto incluiu ainda em seus projetos uma proposta de sinalização turística para o Petroglifo de São Januário.

Até agora, porém, não há indicação oficial de que essa rota arqueológica já tenha sido concluída e liberada como percurso regular.

Parque é aberto, mas sítio exige cuidado diferente

O Parque Estadual da Serra de Jaraguá possui entrada gratuita e visitação livre em seus espaços normalmente destinados ao público, como mirantes e trilhas.

Isso não significa que áreas arqueológicas devam ser exploradas sem orientação. Visitas técnicas, científicas, pedagógicas ou de grupos numerosos precisam ser agendadas previamente com a administração do parque.

No caso de São Januário, o mais seguro é consultar a gestão da unidade antes de tentar acessar a área, especialmente enquanto o mapeamento e a estruturação da rota não forem concluídos.

Patrimônio que ainda pode revelar novas histórias

Jaraguá possui outros registros arqueológicos, e estudos acadêmicos destacam que a cidade e seu entorno ainda têm grande potencial para novas pesquisas.

Em São Januário, as gravuras rupestres e os vestígios coloniais colocam lado a lado diferentes momentos da ocupação do território. É justamente por isso que preservar o local antes de transformá-lo em atração turística é parte essencial de sua história futura.

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Rebeca Ferreira

Rebeca Ferreira

Estudante de Publicidade e Propaganda na Universidade Federal de Goiás (UFG) e estagiária do Portal 6. Atua na equipe desde setembro de 2026.