Não é praia, nem destino famoso: cidade brasileira no Centro-Oeste guarda rochas de 290 milhões de anos que parecem cálices, tartarugas e muralhas de pedra

Paraúna reúne formações do Permo-Carbonífero, esculturas naturais e uma muralha basáltica que atravessa o Cerrado goiano

Não é praia, nem destino famoso: cidade brasileira no Centro-Oeste guarda rochas de 290 milhões de anos que parecem cálices, tartarugas e muralhas de pedra
Formações rochosas da Serra das Galés, em Paraúna, foram moldadas durante milhões de anos e ganharam nomes conforme as figuras que lembram. (Foto: Reprodução/Prefeitura de Paraúna.)

À primeira vista, algumas pedras de Paraúna, em Goiás (GO), parecem ter recebido formas de propósito.

Há uma que lembra um cálice, outra se parece com uma tartaruga e, a poucos quilômetros dali, blocos escuros formam uma extensa muralha no Cerrado.

O município fica a cerca de 150 km de Goiânia e abriga o Parque Estadual de Paraúna, criado para proteger as serras das Galés e da Portaria.

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Segundo o Governo de Goiás, parte das formações da região remonta ao período Permo-Carbonífero, há cerca de 290 milhões de anos.

Pedra do Cálice, na Serra das Galés, tornou-se o principal cartão-postal de Paraúna após a erosão moldar o arenito em formato semelhante a uma taça. (Foto: Reprodução/Luciano Guimarães/Goiás Turismo)

Esculturas feitas pela natureza

Na Serra das Galés, vento, chuva e outros processos de erosão modelaram arenitos da Formação Aquidauana.

Assim surgiram geoformas batizadas conforme aquilo que lembram.

A mais famosa é a Pedra do Cálice, símbolo de Paraúna.

Perto dela aparecem a Pedra da Tartaruga, a Índia, os Três Reis Magos, a Bigorna e outras figuras que dependem também da imaginação de quem observa.

Um estudo publicado em 2018 na revista Ateliê Geográfico, da Universidade Federal de Goiás (UFG), registrou a Pedra do Cálice, a Pedra da Tartaruga, a Pedra do Índio e outras formações areníticas do Parque Estadual de Paraúna.

Os pesquisadores Delerman Teixeira do Amaral Neto e Cláudia Valéria de Lima relacionam essas formas à ação da erosão diferencial sobre as rochas.

Serra da Portaria - Prefeitura de Paraúna

Paredões da Serra da Portaria ajudam a formar o conjunto geológico protegido pelo Parque Estadual de Paraúna. (Foto: Reprodução/Prefeitura de Paraúna.)

Outro cenário chama atenção na Serra da Portaria: a Muralha de Ferro.

O alinhamento de pedras alcança cerca de 15 km e, em determinados pontos, ultrapassa dois metros de altura.

Nesse caso, porém, a geologia é diferente.

Segundo estudo dos pesquisadores Bruno Martins Ferreira, Cláudia Valéria de Lima e Carlos Roberto dos Anjos Candeiro, da UFG, a Muralha de Ferro está associada a extensos diques de diabásio.

A explicação para o formato remonta aos estudos do geomorfólogo Valter Casseti, que atribuiu a formação do relevo à erosão diferencial.

Além das pedras, Paraúna reúne trilhas, cachoeiras e a Ponte de Pedra, reforçando a vocação do município para o geoturismo e o turismo de natureza.

Abaixo em vídeo percorre algumas das formações rochosas e paisagens que fazem de Paraúna um dos principais destinos de geoturismo de Goiás.

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Angelina de Paula

Angelina de Paula

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e estagiária do Portal 6. Atua na equipe desde setembro de 2026.