Parece cenário de novela de época, mas é a antiga capital de um estado do Centro-Oeste: cidade Patrimônio da Unesco guarda a casa de uma das maiores poetisas do país
Casarões coloniais, ruas de pedra e um rio cortando o centro ajudam a preservar a atmosfera de uma cidade que atravessou séculos

Ruas de pedra, casarões baixos, igrejas antigas e pontes sobre um rio estreito criam uma paisagem que parece feita para uma produção de época. No entanto, esse cenário faz parte de uma cidade real, que já foi o centro político de Goiás.
Trata-se da Cidade de Goiás, também conhecida como Goiás Velho ou Vila Boa. O município foi a antiga capital do estado e preserva um dos conjuntos urbanos coloniais mais importantes do Centro-Oeste.
Em 2001, o Centro Histórico entrou para a lista de Patrimônio Mundial da Unesco. Segundo a organização, a cidade é um exemplo marcante de como modelos urbanos europeus foram adaptados às condições geográficas, climáticas e culturais do interior da América do Sul.
A Casa de Cora
Entre os pontos mais conhecidos está o Museu Casa de Cora Coralina, instalado às margens do Rio Vermelho.
Foi ali que nasceu, em 1889, Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, nome de batismo de Cora Coralina. A antiga residência, chamada por ela de Casa Velha da Ponte, preserva objetos pessoais, móveis, manuscritos e ambientes ligados à rotina da escritora.
Cora publicou o primeiro livro, Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais, apenas em 1965, aos 75 anos. Depois disso, ganhou reconhecimento nacional e tornou-se uma das principais vozes literárias ligadas à memória e ao cotidiano do interior brasileiro.
Cidade preservada
O conjunto histórico se desenvolveu às margens do Rio Vermelho e entre serras. Além disso, mantém igrejas, antigos prédios públicos e residências que ajudam a mostrar como funcionava uma cidade mineradora nos séculos XVIII e XIX.
Entre os destaques estão o Palácio Conde dos Arcos, o Museu das Bandeiras, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário e a Praça do Chafariz.
A Cidade de Goiás também preserva tradições religiosas e culturais, como a Procissão do Fogaréu. Por isso, quem percorre o centro histórico encontra não apenas arquitetura antiga, mas também costumes mantidos pela própria comunidade.
Hoje, a Casa de Cora Coralina está entre os atrativos mais procurados da antiga capital e também marca o ponto final do Caminho de Cora Coralina, rota de longa distância que atravessa parte do território goiano.
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