Gabriel Rolón, psicólogo e especialista em comportamento humano, reflete sobre a felicidade: “É aquele momento de eternidade em que o que você foi, o que deseja ser, o que te atormenta e o que teme coexistem”
Psicanalista argentino propõe uma maneira diferente de enxergar a felicidade, sem ignorar as marcas do passado e as incertezas do futuro

Em entrevista ao jornal argentino La Nación, publicada em 29 de outubro de 2026, o psicanalista apresentou uma reflexão sobre a convivência entre passado, presente e futuro. Segundo ele, a felicidade acontece quando diferentes partes da história de uma pessoa conseguem coexistir.
Felicidade não significa ausência de problemas
Na visão de Rolón, não é necessário apagar experiências dolorosas para encontrar satisfação na vida. Pelo contrário, reconhecer as próprias dificuldades também faz parte do processo de amadurecimento.
Isso significa aceitar que o passado pode trazer lembranças difíceis, enquanto o futuro continua despertando expectativas e inseguranças. Ainda assim, essas experiências não precisam impedir alguém de aproveitar o presente.
Além disso, o especialista questiona a ideia de que a felicidade deve ser uma condição permanente. Para ele, tentar alcançar uma plenitude absoluta pode fazer com que as pessoas deixem de reconhecer os momentos bons que já existem na própria realidade.
O perigo de viver esperando
Outro ponto abordado pelo psicanalista é a tendência de colocar a felicidade em algum momento distante. Muitas pessoas acreditam que serão felizes quando conseguirem determinado emprego, encontrarem um relacionamento ou alcançarem estabilidade financeira.
Entretanto, essa expectativa pode transformar a vida em uma espera constante. Quando uma conquista acontece, outra meta aparece e a sensação de satisfação acaba sendo novamente adiada.
Por isso, Rolón defende a importância de assumir os próprios desejos e responsabilidades, em vez de esperar que circunstâncias externas resolvam todas as questões pessoais.
Aceitar as próprias imperfeições
O especialista também utiliza o conceito de “faltacidade”, uma combinação das palavras falta e felicidade. A ideia representa uma felicidade capaz de conviver com ausências, dores e feridas, sem exigir que tudo esteja completo.
Dessa forma, a reflexão convida a abandonar a busca por uma vida perfeita. Afinal, reconhecer as próprias limitações e acolher a própria história também pode abrir espaço para experiências mais verdadeiras de satisfação.
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