Radialista causa revolta ao escrever comentário desumano sobre Amilton Filho

Questionado por errar o nome do deputado morto em setembro, Cleuber Carlos respondeu com três palavras, apagou e seguiu publicando contra a vitória da deputada

Cleuber Carlos e o comentário no Instagram mandando procurar Amilton Filho no cemitério, apagado depois
Cleuber Carlos e a resposta que ele apagou horas depois: questionado sobre “Hamilton”, mandou procurar o deputado no cemitério. (Foto: Reprodução/Instagram)

“Procura n cemitério.” Essa foi a resposta do radialista Cleuber Carlos a uma pergunta feita na própria publicação dele no Instagram, na noite desta sexta-feira (30). Antes, o radialista Richelson Xavier havia comentado: “Quem é Hamilton? Pesquisei e não encontrei”.

A ironia tinha motivo. Afinal, o nome do deputado estadual Amilton Filho, morto em 26 de setembro em um acidente em Cristalina, se escreve com A.

Cleuber, porém, grafou “Hamilton” no título do blog, na legenda do Instagram e na arte do post. O erro diz mais do que parece: ninguém que acompanhe a política de Goiás troca essa letra. Um programa de inteligência artificial, que nunca ouviu falar do deputado, troca.

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Dezenas de seguidores apontaram a falha. Em vez de corrigir, ele mandou procurar o morto no cemitério. Horas depois, apagou o comentário. Por isso, a frase já não aparece na publicação, mas a coluna Rápidas printou antes de sumir e o reproduz aqui.

O que havia na publicação

A frase não foi um deslize isolado. A publicação em que ela aparece traz o título “BOMBA: Carol do Hamilton Filho admite ausência de filiação no sistema oficial e coloca responsabilidade no MDB; Ministério Público aponta indícios de fraude”.

De fato, o parecer do Ministério Público Eleitoral existe e está em análise na Justiça, que manteve o registro da candidatura. Isso é notícia, e o Portal 6 acompanha o caso.

O que Cleuber publicou, no entanto, não é apuração. Ele pegou o parecer, que outros veículos já haviam noticiado, e o reprocessou com inteligência artificial, daí o H no nome.

A arte segue a mesma receita: uma montagem gerada por IA com o rosto de Carol, o prédio do TSE, a logo do MDB, um carimbo de “não consta filiação” e chamadas sensacionalistas em caixa alta, com a palavra “fraude” em destaque.

O próprio texto, porém, admite no fim que “as suspeitas não constituem prova conclusiva de fraude”. Nenhuma fonte ouvida, nenhum lado procurado.

O blog roda de graça no Blogger, sem domínio próprio, e nenhum veículo profissional de Goiás o cita como fonte.

Quem assina

Cleuber Carlos é radialista esportivo de Itumbiara, com passagem pela televisão, e hoje vive do blog e de manchetes contra alvos escolhidos.

Em agosto de 2025, a Justiça de Goiás o condenou a 1 ano e 24 dias de detenção por calúnia e difamação contra o então promotor Fernando Krebs, hoje procurador de Justiça.

O motivo foi um texto publicado no blog em 2019, no qual ele acusava o promotor de agir por interesse pessoal.

A sentença concluiu que a acusação era falsa e que ele abusou da condição de comunicador. Em junho deste ano, o Tribunal de Justiça de Goiás confirmou a condenação. Antes disso, o mesmo promotor já havia obtido dele uma indenização de R$ 10 mil por danos morais.

Quem é o alvo

O alvo da vez é Ana Caroline Guimarães, a Carol do Amiltinho, psicóloga, 37 anos, mãe de dois filhos pequenos. Ela perdeu o marido numa sexta-feira e, no domingo seguinte, aceitou assumir a candidatura dele, a oito dias da eleição.

Fez isso para manter os compromissos do mandato: a creche no DAIA para as mulheres que trabalham no distrito e a expansão do ensino em tempo integral na rede estadual.

Recebeu 110 mil votos, a maior votação da história da Assembleia Legislativa de Goiás. Desde o resultado do primeiro turno, porém, virou tema fixo das publicações de Cleuber Carlos, sempre no mesmo tom. Até hoje não ficou claro a quem esse ataque serve.

Nos comentários, os próprios seguidores de Cleuber responderam por ele. “Sabe nem escrever”, escreveu um. “Muda de assunto, isso já está muito chato”, escreveu outra.

Uma terceira lembrou que ninguém com conhecimento público em Goiás ignora quem foi Amilton Filho. Ou seja, o radialista que errou o nome do deputado mandou procurá-lo no cemitério, apagou o rastro e seguiu publicando. O print fica.

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Danilo Boaventura

Danilo Boaventura

Jornalista graduado pela Universidade Federal de Goiás (UFG), pós-graduado em Docência em Comunicação pela Faculdade Cidade Verde (PR) e mestrando em Marketing Político pela Universidad del Salvador, de Buenos Aires.