Cuidado com a língua: o que você diz revela a fundo o seu caráter, ou a falta dele

Já diz o provérbio: “Quem guarda a sua boca, guarda a sua vida. Mas quem fala demais acaba se arruinando”. Palavras soltas ao vento cheias de perversidade, tanto faz mal aos outros como a nós mesmos. Controlar a falácia é uma das atividades mais difíceis dos seres humanos. A língua tanto tem o poder de construir vida como de destruir uma vida e denuncia o que de fato está no coração do homem – nem o mais completo dissimulado consegue esconder o “tesouro” que guarda em si.

A pessoa que consegue dominar sua língua é mais forte que o homem valente. Com ela demonstramos nossas ambiguidades e toda a verdade de nosso ser. Quem nunca se perdeu no caminho que a língua leva? Ela é traiçoeira, mas quem a carrega somos nós!

Quantas vezes já dissemos tolices que achávamos ser a mais inteligente certeza, e nessa conjectura de que manejamos o conhecimento e nossas verdades, acabamos por tropeçar e esborrachar feio. Não apenas caímos, mas muitas vezes derrubamos também os outros. Nossas palavras nos condenam ou justificam. Toda precaução se faz necessário, pois nosso coração e alma necessita de vida. Quem se alimenta da Vida, dela exalará.

Tranquilamente nos perdemos quando acalentamos dentro de nós a soberba, a presunção, a vitimização, as certezas absolutas carregadas de achismos. Nossa condição é finita, não somos oniscientes, onipresentes, muito menos onipotentes. Os “sabe-tudo” da vida ainda não entenderam que nada sabe, estamos todos aqui aprendendo enquanto viver, e quando a vida gritar seu nome durante a chamada para a outra dimensão, ainda não saberá o mínimo suficiente. Diante dos outros somos tão cheios de nós mesmos, a verdade que encarnamos a respeito da vida alheia é tão desrespeitosa e horrorosa, que mesmo um espelho não se sujeitaria a encarar o sujeito que fosse, diante de tanta falácia maldosa.

A língua é cheia de veneno mortífero – no caso de quem tem a intenção de aniquilar os outros. Aquele que a controla no temor ao Senhor, a despeito de suas fraquezas, alcança sabedoria. E mais, alcança domínio próprio, que juntamente ao calar, nos capacita a ouvir para que não sentenciemos juízos apressados – de fato, apenas revela um total descontrole emocional de uma alma azeda, cheia de ódio, ressentimento, inveja e em trevas.

Essa necessidade do ímpeto, de forçar o outro a escutar tudo o que vem à cabeça, quando a vontade é destruir e dilacerar a alma alheia, demonstra o estado espiritual e a direção que tal pessoa caminha. Quem tem paixão por amaldiçoar os outros, esse rompante por achar que tem “poder” em controlar poderes que sequer conhece e muito menos domina, sabe que toda essa contaminação já tomou conta de seu ser, está inflamado todo o curso de sua natureza, e sua maldição virá de encontro a si mesmo, esse será seu juízo.

Que seja colocado guarda em nossa boca, e que ainda assim, se tropeçarmos e cairmos no falar, o pingo de humildade que ainda houver dentro de nós seja o suficiente para que reconheçamos e tenhamos a coragem de pedir perdão. Somente assim, nosso caminhar estará livre para seguirmos adiante, sempre cuidando nosso falar e conscientes de que até mesmo a verdade dita fora de hora é insensatez, pois enquanto respirarmos jamais estaremos livres dela, da nossa língua.

Deniza Zucchetti é professora por vocação, quase Relações Internacionais, escritora por amor nas horas vagas e mãe de dois lindos filhos em período integral. Escreve toda semana.

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