A história de superação da anapolina que enfrentou vários obstáculos para vencer o câncer

Ela passou várias horas dentro de ônibus, teve a casa assaltada, perdeu todos os móveis em incêndio e ainda encarou medicamentos fortíssimos

Rafaella Soares -

Superar grandes problemas ou graves doenças requer muita benevolência de quem é obrigado a enfrentar esse tipo de situação. Isso porque muitas vezes o corpo e o próprio psicológico não suportam o peso de encarar uma situação difícil.

Apesar da dificuldade, muitas pessoas encontram forças e persistência para conseguirem se livrar do mal que as afetam. Como é o caso da atendente Deise Gomes Balduíno, de 44 anos, que foi diagnosticada com câncer de mama em 2013, em Anápolis.

Ao Portal 6, Deise contou que tudo começou em novembro 2012, aos 38 anos, quando passou por um mamografia e o médico não percebeu nas imagens que havia um tumor. Meses depois, ela percebeu que algo estava errado e decidiu procurar um mastologista, onde descobriu a doença.

“Fui encaminhada para o Hospital do Câncer. O médico que me atendeu simplesmente me olhou e disse que precisaria fazer uma mastectomia radical e se eu quisesse fazer uma reconstrução imediata, teria de ser particular. Ele ainda me encaminhou para o cirurgião plástico, mas o procedimento me custaria cerca de R$ 15 mil”, relatou.

Sem condições, a atendente disse que procurou um posto de saúde em Goiânia, onde a médica questionou o motivo de ela não ter iniciado o tratamento ainda 2012. Neste momento, ela foi transferida com urgência para o Hospital Araújo Jorge e novamente não conseguiu o tratamento gratuito de forma rápida.

(Foto: Arquivo Pessoal)

Em razão disso, teve de iniciar o tratamento em São Paulo, pois era o único lugar que poderia oferecer a ela a agilidade que precisaria para sobreviver.

“Lá eu comecei do zero de novo. Por incrível que pareça o atendimento e a receptividade foi completamente diferente. A médica disse que eu precisava me tratar para ontem e graças a Deus eu consegui uma vaga no Instituto do Câncer de São Paulo Octavio Frias de Oliveira (ICESP)”, lembrou.

A situação então se complicou, pois ela passou por 12 sessões de quimioterapia, cirurgia de reconstrução e 25 sessões de radioterapia. Nos piores momentos ficava com a ex-cunhada na capital paulista, mas, em muitos casos, ia direto para o Brás, onde pegava um ônibus de volta para casa e enfrentava uma viagem de 15 horas.

“Foi difícil, foi doloroso, mas Deus nos dá o que conseguimos suportar. Não se deve desesperar, nem blasfemar. Geralmente causa muita revolta porque os familiares se afastam, achando que a pessoa vai ficar em cima de uma cama dependendo deles para tudo. As amizades também se afastam e as pessoas tratam como se fosse algo contagioso”, disse.

Deise após o tratamento. (Foto: Arquivo Pessoal)

Um dos momentos mais dolorosos da experiência, conforme a atendente, foi durante uma quimioterapia, quando ladrões entraram na casa dela em Anápolis e colocaram fogo no local, que acabou com quase todos os móveis.

Para chegar ao final do tratamento, Deise precisou pedir dinheiro emprestado várias vezes até conseguir ser afastada pelo INSS. Ela também teve de deixar o filho para cuidar da mãe idosa e conta que só conseguiu devido a imensa vontade de viver.

“Eu tenho muita vontade de viver e por isso nunca vou desistir. Hoje eu estou curada e tenho de ir para São Paulo apenas de seis em seis meses para repetir os exames. Essas idas e voltas devem ocorrer ainda pelos próximos seis anos, mas Deus me fez vencedora por ter chegado até aqui e trilhou o caminho para que desse tudo certo. “.

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