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Como está a reestruturação da rede municipal de saúde em Anápolis

Em entrevista ao Portal 6, o titular da Semusa Lucas Leite fala sobre pontos polêmicos e aponta as mudanças nesses pouco mais de 20 dias

Passados pouco mais de 20 dias desde o início da reestruturação na rede municipal de saúde, o Portal 6 foi atrás de respostas sobre o cenário atual no setor.

O que já mudou, de fato? Como está o funcionamento das unidades básicas que tiveram o horário de funcionamento estendido? A UPA da Vila Esperança suporta o aumento no volume de atendimentos? O que a população está ganhando com as mudanças promovidas?

Esses e outros questionamentos, pertinentes para o momento, estão presentes na entrevista com o titular da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), o médico Lucas Leite, também sabatinado por vereadores em sessão ordinária da Câmara Municipal de Anápolis na manhã desta terça-feira (20).

Portal 6 – Havia mesmo a necessidade de se fechar o Cais Progresso? Isso não deixou órfãos os moradores da região norte?
De forma alguma. O Cais Progresso era uma unidade que não foi projetada para urgência e emergência e não oferecia atendimento adequando para esses casos. O que nós fizemos foi decidir pela construção de uma UPA e assim assegurar mais qualidade e dignidade no trato com a população da região norte. Isso em razão de que a UPA terá sala vermelha de estabilização, leitos para internação, alimentação preparada de forma correta. Enfim, tudo aquilo que o paciente necessita para ter o atendimento adequado.

Enquanto essa UPA não entra em funcionamento, a população fica desassistida?
Também não. Nós implantamos o atendimento todos os dias até 22 horas nas unidades Parque dos Pirineus e Parque Iracema como suporte, isso inclui finais de semana e feriados, até que as obras sejam concluídas. E ainda com uma novidade, já que no Iracema nós disponibilizamos um ponto de coleta de exames laboratoriais. São 200 por semana na fase inicial e com a meta de ampliar esse número para mais de mil pessoas por semana.

Mas no Progresso havia atendimento de emergência e nessas unidades não há?
Nós fizemos um estudo detalhado e confirmamos que 90% dos pacientes que procuravam o Cais Progresso eram de perfil azul ou verde, ou seja, de baixa complexidade, que devem ser atendidos nas unidades básicas de saúde. E os casos de maior gravidade demandam estruturas que a rede oferece na UPA da Vila Esperança e no Hospital Municipal, além da Santa Casa e do Hospital de Urgência, conforme cada perfil de atendimento.

Poderia explicar melhor essa questão de perfil de atendimento? Onde e em que situação o cidadão deve procurar cada unidade?
A classificação de risco realizada nas unidades segue um sistema que montamos, e foi aprovado pelo Conselho Municipal de Saúde, que engloba protocolos múltiplos, inclusive o de Manchester que é adotado no Brasil inteiro. Ele é definido por cores. O paciente vermelho é aquele que tem risco real de morte e precisa de atendimento imediato. O laranja também apresenta risco, mas não tão iminente. Ele pode aguardar algum tempo, embora deva ser priorizado. O amarelo não corre risco de morte naquele momento, precisa de atenção, mas pode esperar até duas horas. E nós ainda o verde e o azul, que são situações pouco urgentes, com perfil de atenção básica.

Então, pacientes classificados como verde e azul não devem procurar, por exemplo, a UPA?
Com certeza. Esses casos são indicados para as unidades básicas de saúde.

Quem deve ir à UPA, ao Municipal ou a outras unidades que prestam atendimentos de maior complexidade?
Cada unidade tem um perfil de atendimento. O Municipal para atendimento clínico é porta fechada, mas é aberta para queimadura, ortopedia e cirurgia geral. O Hospital de Urgências recebe traumas. E a Santa Casa tem atendimento clínico, pediátrico, de gestantes, ortopedia e cirurgia geral. A UPA é clinica médica e pediatria.

Muita gente procura essas unidades mesmo sem ser esse o caminho ideal. É uma questão de melhor qualidade?
Em Anápolis há uma cultura estabelecida de que a melhor qualidade está na urgência e emergência. É importante explicar que numa unidade com esse perfil o paciente que tem diabetes, por exemplo, será atendido, sua condição clínica verificada, mas não terá o acompanhamento. É na unidade básica, o chamado posto de saúde, que será realizada a coleta do exame, acompanhada sua glicemia, feitas as trocas regulares das receitas, serão avaliadas as comorbidades associadas, ou seja, se o paciente fuma, se tem risco de infarto, ou AVC. Enfim, todo esse procedimento é realizado na unidade básica, não na urgência e emergência. E é isso que estamos buscando trabalhar na saúde.

Há reclamações também quanto ao fechamento do Cais Mulher, a mudança para o antigo Cais Abadia Lopes e a falta de estrutura do local
A saúde da mulher passou para a unidade Abadia Lopes da Fonseca em sua totalidade. E o atendimento ainda está sendo otimizado com a ampliação do número de mamografias e ultrassonografias, que serão realizadas em três turnos. Também estudamos a possibilidade de estender o horário das coletas de exames laboratoriais até 22 horas. Queremos o mesmo para a vacinação, o que permitiria às mães levarem seus filhos após o expediente de trabalho. Enfim, são muitos os avanços e é essa a nossa preocupação: oferecer mais e melhor.

Muitas mulheres ainda reclamam da mudança de endereço, dizem que ficou longe e que o antigo Cais Mulher poderia ser mantido onde estava
A distância é algo subjetivo, já que se trata de uma unidade de referência para todas as mulheres e, dependendo de onde a pessoa mora, o que é longe para uma, não é para outra. Agora, manter onde estava não seria possível, pois lá estamos construindo uma UPA de perfil pediátrico. Sabemos das dificuldades que mães e pais enfrentam em todo o País ao levar seus filhos para um atendimento. As unidades costumam estar cheias, inclusive de adultos, e a espera pode ser longa. A gestão do prefeito Roberto Naves leva isso em consideração e vai oferecer, possivelmente já a partir de janeiro de 2019, um espaço exclusivo, com toda estrutura de retaguarda para nossas crianças.

Não há mais problemas ou eles estão sendo todos resolvidos?
Ainda há muito por fazer. Estamos informatizando nossa central de abastecimento para que tenhamos controle ainda maior e mais rápido de medicamentos e insumos tanto em estoque, quanto na ponta. Assim, receberemos um alerta sobre determinado produto em falta em alguma unidade, agilizando a reposição. Vamos inaugurar ainda esse ano duas novas unidades básicas de saúde – Arco-Íris e São José –, ampliando a cobertura na cidade. Temos dois CAPS e o ambulatório de saúde mental que também serão entregues em breve. Há, portanto, muito para se fazer, além do fato de que a saúde é dinâmica e demandas novas surgem a todo momento.

De modo geral, que avaliação o senhor conseguiria fazer sobre esses pouco mais de 20 dias do início da reestruturação?
Muito positiva e, francamente, dentro das nossas expectativas mais otimistas. Trata-se de uma mudança ousada, com foco total na população e no seu bem-estar. O prefeito Roberto Naves e todos nós que fazemos parte da equipe queremos que o anapolino tenha atendimento digno e estamos conseguindo tornar isso uma realidade. A UPA conseguiu absorver a demanda para lá direcionada. As unidades estendidas (Iracema, Pirineus e Abadia Lopes) estão oferecendo bom atendimento e a população está satisfeita. Sinceramente, há muitos motivos para nos alegrarmos, mas sem perder o foco na responsabilidade de lidar com demandas tão complexas e com o que há de mais precioso que é a vida.

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