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Baixo valor recebido por atendimentos e pandemia culminou no fechamento do IFA

Local atendia cerca de 70% dos anapolinos que buscavam gratuitamente esse tipo de serviço na cidade

Avatar Danilo Boaventura -
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Após 12 anos de atividades, o Instituto de Fisioterapia de Anápolis (IFA) fechou as portas de forma definitiva. O local atendia cerca de 70% dos anapolinos que buscavam gratuitamente esse tipo de atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Francisco Carlos, de 71 anos, era um dos gestores da entidade e disse em entrevista ao Portal 6 que foram várias as tentativas para manter a operação.

A pandemia, no entanto, teria sido a pá de cal para a viabilidade do negócio. Carlos conta que houve tratativas com a Prefeitura de Anápolis para que o valor repassado subisse. No entanto, conforme sustenta o gestor, as conversas não avançaram.

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– Há quantos anos o IFA atendia na cidade?

O IFA estava em funcionamento desde setembro de 2008. Isso com atendimento do SUS, mas o trabalho começou em 1998.

– E como foi o último dia de funcionamento?

Foi triste porque nós encerramos nosso contrato com o município em 23 de dezembro de 2020 e apresentamos a proposta para renovação. Porém, não houve acordo e ficamos dando seguimento ao atendimento daqueles pacientes que já estavam cadastrados, autorizados pelo sistema. E continuamos dando essa assistência até o dia 12 de março porque nós fomos gradativamente parando e aguentamos para não deixar as pessoas na mão e também na esperança de que a Prefeitura observasse a necessidade desse serviço para a cidade. Mas não houve acordo e encerramos dia 12 de março de 2021.

– O que foi decisivo para ele fechar?

O que foi decisivo para nós fecharmos é a questão custo benefício. Nós já víamos trabalhando no vermelho há muito tempo. O SUS paga R$ 6,35 por sessões de fisioterapia. Conseguimos com o prefeito, em outubro de 2018, um aumento de R$ 11 para a partir de janeiro de 2019, de R$ 15 a partir de janeiro de 2020. O que aconteceu? Chegou janeiro de 2019, houve burocracia etc e não conseguimos o reajuste. Passamos a receber esse reajuste, essa atualização, só a partir de julho de 2019. Trabalhamos julho de 2019 já tranquilo, não dando margem de lucro, mas fechando as contas. E quando chegou em janeiro de 2020 não foi cumprido o acordo, mas em seguida veio a pandemia, veio a questão da Covid-19, e nós achamos que tudo bem que tínhamos que segurar o que seria decidido. Infelizmente, trabalhamos o ano de 2020 todo com o valor antigo e não houve reajuste. Chegando dezembro nós solicitamos uma nova proposta, mas não houve acordo, não houve interesse da Prefeitura e infelizmente tivemos que fechar.

– Quais as perdas para a população que depende do serviço de fisioterapia e que era atendida pelo SUS, planos de saúde ou que pagava o serviço a baixo custo?

As perdas para a população de fisioterapia é muito ampla. Primeiro, o IFA atendia 70% da população de Anápolis no que diz respeito a tratamento fisioterápico. Além do IFA, quem atende? APAE, que tem uma direção exclusiva para crianças e pessoas especiais. A UniEVANGÉLICA, que tem suas particularidades, também porque tem suas limitações, como o longo prazo de recesso que existe dentro do calendário dela. A Prefeitura tinha o CREFA antes. O CREFA foi fechado porque eles viram que o custo benefício não compensava. Para cada paciente, para cada sessão de fisioterapia para o CREFA, em 2018, custava R$27,50. Então, não é negócio para eles manterem aquela atividade. Por isso, nós também paramos, e tudo isso em função do baixo custo.

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