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Quem tem medo da morte?

Da Redação Da Redação -
(Foto: Reprodução)
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Nunca sentimos tantas perdas e tão rápido como nesse período de pandemia. Parentes, amigos, conhecidos, vizinhos, colegas de trabalho. A morte não deu trégua nos últimos meses e a sensação que temos é que as pessoas vão ficando anestesiadas. Não fazemos mais o estardalhaço de antes e o choro contigo parece agora tarefa corriqueira do cotidiano.

Numa entrevista ouvi um infectologista dizer que atravessaríamos o inferno e não poderíamos nos acostumar com o cheiro do enxofre. Mas pelo visto grande parte da sociedade fez desse aroma o perfume natural de cada dia. Ao abrir as redes sociais são tantos os relatos, textos e homenagens que nossa lamentação já está se tornando um automático copiar e colar.

A morte, chamada de irmã pelos franciscanos é a única certeza que temos e teremos, é a garantida recompensa ao final, independente do credo, do costume e do ritual. É certeira e compassada, na fé de alguns tem até data agendada, para tradições antigas é o fechar do círculo que envolve o punho que desenha as mãos. Já dizia o velho sábio, se fechar ninguém escapa.

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Mais que isso, a finitude perdeu parte do encantamento e ganhou ares de banalização. Uma moça entrevistada num telejornal afirmou estar tranquila na rua lotada, afinal não estava intubada, podia socializar à vontade. Mas e o outro? E essa provocação contida sobre perceber como nossos comportamentos afetam e modificam as relações interpessoais? E a empatia?

Medo da morte? Do morrer? Do ato ou do significado da ação?  A única certeza humana é também motivo de assombro e incertezas, mas permeia o cotidiano das pessoas e suas formas mais controversas de interagir e aproveitar a vida. Entre negar, aceitar e organizar-se, o medo da morte tem um papel fundamental na sociedade contemporânea, o de regular a vida!

Nunca falamos tanto sobre morte e morrer, essa pauta em evidência provoca desconfortos e ansiedade, apontando a necessidade de acompanhamento profissional psicológico  em muitos casos. Lidar, nomear, dar lugar, organizar. Terapia nunca foi tão importante quanto agora e a Psicologia nunca mostrou-se tão necessária e contemporânea.

Marcos Carvalho é professor, psicólogo e servidor público federal. Atualmente vereador em Anápolis pelo Partido dos Trabalhadores. Escreve todas as terças-feiras. Siga-o no Instagram.

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