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O que explica o fato de mais de 3 mil idosos de Anápolis não aparecerem para se vacinar?

Estoque de Astrazeneca que tem 76% de eficácia já na primeira dose está encalhado na Semusa, que não pode avançar com a imunização de outros grupos

Denilson Boaventura Denilson Boaventura -
(Foto: Divulgação)

Após 22 dias da aplicação da primeira dose da Astrazeneca/Oxford, a eficácia de imunização é de 76% – atingindo 82% na segunda dose –, muito maior que o preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para validar qualquer tipo de imunizante, que é de 50%. Com alta taxa de eficiência, esse é um produto utilizado em mais de 100 países do mundo e um dos responsáveis pela volta a uma rotina mais próxima do normal em várias regiões europeias.

Entretanto, embora Anápolis disponha de 23,3 mil primeiras doses encalhadas em estoque, mais de 3,3 mil idosos com idade igual ou superior a 60 anos cadastrados ainda não buscaram o imunizante. Situação que tem preocupado a Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), que sem finalizar a vacina deste grupo não pode avançar para o próximos – como os moradores com comorbidades.

Nenhum técnico da pasta ainda veio a público expor o que pode explicar esse movimento, que não ocorreu com as doses de CoronaVac. No entanto, vale lembrar que conforme resultados de estudos revelados pelos próprios laboratórios que estão produzindo as vacinas, o percentual de eficiência da primeira dose da Astrazeneca/Oxford é semelhante ao índice da segunda dose da Coronavac/Butantã – que é de cerca de 77%.

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Outro assunto que tomou conta dos noticiários desde o mês passado é a relação entre casos de embolia e a vacina da Astrazeneca/Oxford. Mesmo ainda sem comprovação dessa correlação, na prática, estudos e cientistas afirmam que o evento é raríssimo. A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) ressalta que os benefícios da vacina superam, e muito, o risco de efeito colateral.

O cirurgião cardiovascular e profissional que está desde o início na linha de frente em combate à Covi-19, Thiago Policarpo, faz uma conta simples para mostrar esse quadro. Ele explica que, normalmente, por questões inerentes a algumas comorbidades como arritmia, trombose, varizes ou condições como tabagismo ou sedentarismo, num universo de 100 mil pessoas, 122 duas terão algum evento tromboembólico.

“Isso num mundo normal, sem ter tomado vacina. Esse é o número de pessoas que chega pra gente com esse tipo de situação”, diz. Fazendo um paralelo, os casos que podem estar associados a embolia após a vacinação seriam de uma pessoa para cada 100 mil vacinados. “É algo raríssimo. E se essas pessoas já não estivessem em condições semelhantes àquelas 122 pessoas que já entram nesse grupo?”, questiona.

Utilizando outro parâmetro, o perigo da Covid-19 é muito maior. De acordo com o site “Our world in data”, o Brasil tem 1,5 mil mortes pela doença por um milhão de habitantes.

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