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Anápolis pode estar próxima de fazer racionamento de água

Saneago nega necessidade da medida, mas indicadores obtidos pelo Portal 6 mostram que o sistema está no limite

Rafaella Soares Rafaella Soares -
Estação de Tratamento de Água no Jardim América. (Foto: Divulgação)

A crise hídrica em Anápolis já é um problema antigo e, apesar dos grandes investimentos realizados nos últimos anos, a possível falta d’água ainda é uma preocupação, já que a cidade continua crescendo, o que naturalmente resulta em um consumo maior, e os volumes dos mananciais tendem a baixar drasticamente em períodos de seca intensa.

Em 2021, a estiagem está afetando fortemente todo o estado e há cidades, como Goianésia e Crixás, que já enfrentam o tão temido racionamento. Em nota ao Portal 6, nesta terça-feira (14), a Saneago garantiu que para Anápolis ainda não há previsão de uma medida como essa.

Dados levantados pelo Portal 6 junto à Agência Reguladora do Município (ARM), que tem monitorado diariamente o fornecimento de água, no entanto, mostram que a atual capacidade de abastecimento está em um estágio preocupante.

“O Ribeirão Caldas, que abastece o DAIA e mais 39 Bairros de Anápolis, deixou de verter e está sendo usada água do reservatório que é conhecido como Lagoa Pulmão. Segundo dados dos representantes da Codego, essa Lagoa suporta 40 dias de abastecimento”, explicou Robson Torres, presidente da ARM.

Já o Sistema Piancó, que supre o restante da cidade, continua bombeando água do Capivari para o Piancó II e Piancó I. No total, são tratados 1 mil litros de água por segundo.

“O volume de água ainda está ok, mas se a população não colaborar, os 1 mil litros de água tratada por segundo não serão suficientes”, afirmou Robson.

Consumo diário elevado em Anápolis

Gráfico enviado pela ARM ao Portal 6 mostra, em metros cúbicos, o consumo total de água registrado em Anápolis entre os 1º e 12 de setembro.

O registro mais alto é do dia 04, quando o total de água utilizada em 24 horas foi de 77.168 m³, o que equivale a 77.168.000 litros.

(Gráfico: Divulgação / ARM)

Como a capacidade máxima diária de produção de água é de 86.400.000 litros, o consumo da cidade fica muito perto de alcançar o limite do que atualmente é suportado.

A expectativa é, ainda nesta semana, seja realizada a instalação de mais uma bomba, que aumentaria a produção de água em mais 150 l/s. Mesmo assim, caso não haja uma redução, a necessidade de um rodízio se torna cada vez mais real.

“Nesse momento ainda está descartado [o racionamento], mas precisamos urgente avaliar a produção de água no Sistema Piancó”, disse Robson.

Segundo o presidente da ARM, há uma Lei Estadual que obriga o rodízio e impõe que produtores rurais deixem de usar ou usem com moderação a água do Piancó. Essa fiscalização deve ser feita pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad).

E o reservatório temporário do DAIA?

Questionado se já havia algum planejamento sobre o que deverá ser feito caso passe os 40 dias e o reservatório Lagoa Pulmão não suporte mais o abastecimento do DAIA e dos bairros interligados, Robson Torres explicou que a responsabilidade é da Codego e ainda aguarda um posicionamento da companhia.

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