Médicos goianos fazem alerta sobre risco de infarto e AVC durante a Copa do Mundo

Estresse, ansiedade e excessos comuns entre torcedores podem sobrecarregar o organismo e aumentar a procura por atendimentos de emergência, segundo especialistas

Lara Duarte -
Médicos goianos fazem alerta sobre risco de infarto e AVC durante a Copa do Mundo
Médicos alertam torcedores sobre riscos durante Copa do Mundo. (Foto: Agência Brasil)

A Copa do Mundo costuma reunir amigos, famílias e torcedores diante da televisão em momentos de emoção intensa.

Diante de tantas sensações, especialistas goianos alertam que a combinação entre estresse, ansiedade e excessos pode representar um risco real para a saúde do coração.

O cardiologista Humberto Graner, do Einstein em Goiânia, destaca que organismo reage às emoções intensas de forma semelhante a situações de ameaça.

“Em momentos de forte tensão, há liberação de adrenalina e cortisol, hormônios ligados ao estresse. Isso aumenta a pressão arterial, acelera o coração e eleva o consumo de oxigênio”, explica.

O médico ressalta que, embora essas alterações sejam temporárias na maioria das pessoas, elas podem funcionar como gatilho para problemas mais graves em indivíduos com predisposição a doenças cardiovasculares.

De acordo com ele, sintomas como dor no peito, falta de ar, palpitações, suor frio, tontura e aumento súbito da pressão arterial não devem ser encarados apenas como consequência da emoção de uma partida.

“O corpo avisa quando está sobrecarregado. Ignorar isso pode ser perigoso”, alerta.

Cardiologista Humberto Graner, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia. (Foto: Divulgação)

Cardiologista Humberto Graner, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia. (Foto: Divulgação)

Aumento de emergências cardíacas durante torneios

O alerta também é reforçado pelo cardiologista Giuliano Seraphim, do Ânima Centro Hospitalar, em Anápolis.

Segundo o especialista, o efeito está diretamente ligado à resposta do organismo diante de situações de forte tensão.

“Quando passamos por uma situação de estresse emocional elevado, nosso corpo libera substâncias catecolaminérgicas, como a adrenalina e a noradrenalina”, explica o cardiologista.

Segundo ele, essas substâncias desencadeiam uma série de reações no organismo, elevando a pressão arterial e a frequência cardíaca.

“Em indivíduos saudáveis, essa reação é transitória e se normaliza após o término do jogo. Contudo, em pessoas mais suscetíveis, esse pico de estresse pode romper placas de gordura nas artérias e precipitar complicações graves, como o infarto e até mesmo o acidente vascular cerebral (derrame)”, completa.

Giuliano Seraphim, Cardiologista do Ânima Centro Hospitalar em Anápolis. (Foto: Divulgação)

Giuliano Seraphim, Cardiologista do Ânima Centro Hospitalar em Anápolis. (Foto: Divulgação)

O perigo vai além da emoção da partida

Os especialistas também chamam atenção para os hábitos que costumam acompanhar os jogos. Consumo excessivo de álcool, cigarro, energéticos, noites mal dormidas e alimentação inadequada podem ampliar ainda mais a sobrecarga sobre o sistema cardiovascular.

Para Humberto Graner, muitas vezes a complicação não está apenas nos momentos decisivos da partida.

“O problema raramente é o gol aos 48 minutos do segundo tempo. É tudo o que a pessoa faz com o organismo antes, durante e depois dele”, esclarece o cardiologista.

Como torcer com mais segurança

Os dois especialistas defendem que a melhor forma de aproveitar o torneio é manter hábitos saudáveis e não abandonar os cuidados médicos de rotina.

“Manter uma rotina minimamente equilibrada ajuda o organismo a lidar melhor com o estresse. A prática de atividade física e o acompanhamento médico regular também são fundamentais”, avalia Humberto Graner.

Já Giuliano Seraphim reforça que pacientes com hipertensão, diabetes ou colesterol elevado devem seguir corretamente os tratamentos prescritos e procurar atendimento imediato caso surjam sintomas suspeitos.

“Na dúvida entre uma crise aguda de ansiedade e um evento coronariano, o paciente nunca deve tentar adivinhar ou esperar o jogo acabar. A recomendação médica absoluta é procurar um serviço de emergência o mais rápido possível para avaliação diagnóstica”, reforça.

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Lara Duarte

Jornalista e pós-graduanda em Ciência Política, com atuação em jornal impresso, assessoria de comunicação e produção, reunindo experiência em diferentes frentes da comunicação.

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