Salões para cabelos afros veem a demanda crescer na pandemia
Crespos e cacheados representam metade da população do país
Considerados durante muito tempo ‘fora do padrão estético social’, os cabelos crespos e cacheados estão cada vez mais em alta nos salões de Goiás.
Após décadas sendo submetidos a intensos tratamentos químicos de alisamento, a população negra tem buscado a aceitação das próprias madeixas em empreendimentos voltados para o público afro.
É o caso do salão Studio Afro Gm, localizado em Anápolis, que viu um verdadeiro ‘salto’ na procura por tratamentos para cabelos afros.
“A demanda nos últimos meses tem aumentado muito. Muitos chegam aqui no salão querendo fazer o Big Chop [Corte feito para retirada de química no cabelo]”, afirma a proprietária Gelane Mota em entrevista ao Portal 6.
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Ela revela que desde o início da pandemia, diversas pessoas decidiram adotar um estilo natural e abandonar produtos com ingredientes de ação relaxante.
“Eu acredito que por conta da pandemia muitas pessoas decidiram aderir ao cabelo afro. Já que tiveram que ficar de quarentena e sem acesso aos produtos químicos”, completa.
A ideia de montar o negócio partiu da própria vivência em estúdios de beleza e principalmente da falta de comércios voltados para o público ‘black’.
“Eu trabalhei durante 8 anos em um salão convencional no Distrito Federal, mas quis montar o meu próprio negócio com cabelos naturais. Minha irmã, que mora em Anápolis, me falou para eu montar um salão na cidade, já que não tinha muito estabelecimentos assim. Aí decidi iniciar a minha jornada em abril de 2019”, conta.
Desde então, Gelane se dedica à oferecer para os clientes tratamentos sem química para recuperação dos cachos perdidos em decorrência das progressivas e relaxamentos.
“Ajudamos o cliente a conhecer o cabelo e a cuidar dele. A maioria começou a alisar desde criança. Então, eles não conhecem o próprio fio”, revela.
Em Goiânia, o salão Studio Caracóis também adotou técnicas específicas para cuidar de cabelos cacheados e crespo. Localizado no Setor Bueno, o lugar oferece tratamentos sem químicas para quem deseja cuidar corretamente da cabeleira e realçar ainda mais o natural.
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“As pessoas vem muito aqui em busca de corte e tratamento. Muitos passaram muito tempo da vida alisando o cabelo, e agora querem assumir de fato o que ele é”, diz.
Matheus ainda conta que a demanda crescente na procura de salões, se deve a falta de estabelecimentos voltados para essas pessoas na cidade.
“Apesar dos cabelos cacheados serem 50% do cabelo predominante no país, ainda há poucos salões que oferecem esses cuidados. [Nós] viemos para mostrar que o cacheado é tão bonito quanto o liso e deve também ser cuidado”, afirma.
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