Negociações entre prefeitura de Goiânia e sindicato não evoluem e acordo parece distante

Ao Portal 6, Sintego e Secretaria Municipal de Educação apresentam versões conflitantes sobre tratativas para reajuste salarial

Augusto Araújo -
Professores em Goiânia paralisaram atividades em protesto por reajuste salarial. (Foto: Reprodução).

Três semanas após o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego) decretar greve em Goiânia, a possibilidade de um acordo com a gestão municipal ainda aparenta estar distante.

Isso porque, ao Portal 6, as duas partes envolvidas passaram duas versões muito distintas a respeito das negociações para o reajuste salarial.

Em nota, a Secretaria Municipal de Educação (SME) afirmou ter oferecido uma proposta de correção salarial – 10,16% sobre os vencimentos dos professores que já recebem acima do valor do piso nacional – “exatamente igual ao reajuste apresentado pelo Governo de Goiás à categoria, que foi aceito pelo próprio Sintego”.

Questionada pela reportagem, a presidente do sindicato, Bia de Lima, foi enfática ao rebater: “[Essa proposta] nunca foi aceita pelo Sintego, em momento algum. Não tem absolutamente nada que diga isso”.

“Em lugar nenhum do planeta o Sintego vai aceitar uma proposta abaixo dos 33,24% determinados pelo Ministério da Educação (MEC). A troco de quê eu iria concordar com algo abaixo desse valor?”, complementou.

Em relação às negociações em outros municípios, a sindicalista apontou que houve, pontualmente, acordos celebrados com representantes dos profissionais da educação locais para um reajuste menor dos salários.

Como exemplo, ela citou os casos de Quirinópolis (16%) e Aparecida (20%). Contudo, Bia de Lima apontou que o Sintego ainda vai recorrer à Justiça, para que o percentual restante, determinado pelo MEC, seja cumprido.

Outro ponto também gerou discordância entre a sindicalista e a nota enviada pela SME.

Segundo a pasta, “a gestão municipal cumprirá integralmente o piso atualizado em 2022 pelo Governo Federal. Portanto, nenhum professor do município receberá abaixo do piso nacional estipulado, que será de R$3.846,66 para 40 h semanais de trabalho”.

Na visão da presidente do Sintego, essa afirmação é “fake news” e uma afirmativa enganosa. “É um blefe. O que a prefeitura está fazendo é destruir a carreira do professor”.

“Nós queremos o reajuste [de 33,24%] para toda a carreira, não apenas para quem está começando [e está abaixo do piso de 2022]. É justo que alguém que está há 30 anos na profissão ganhar igual quem começou agora? É inadimissível”, argumentou.

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