55% veem alguma chance de ocorrer fraude nas eleições, diz Datafolha

Na população geral, segundo a amostragem da pesquisa, a tese de vulnerabilidade encontra maior adesão em estratos nos quais o presidente possui maior vantagem até aqui em intenções de voto

Folhapress -
Urna Eletrônica (Foto: Divulgação/ SECOM TSE)

FOLHAPRESS) – A insinuação do presidente Jair Bolsonaro (PL) de que pode haver fraude nas eleições associada a falhas de segurança no sistema de votação é endossada de alguma maneira por 55% da população, segundo a pesquisa Datafolha realizada nesta semana.

Para 34%, há muita chance de que o pleito deste ano seja fraudado. Outra parcela de 21% responde existir um pouco de chance. Por outro lado, 43% dos entrevistados acreditam ser nulo esse risco, e 2% não sabem ou não opinaram.

O levantamento foi feito com 2.556 eleitores acima dos 16 anos em 181 cidades de todo o país, na quarta (25) e quinta-feira (26). A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou menos. A pesquisa, contratada pela Folha, está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-05166/2022.

Antes de serem questionados sobre a hipótese de haver fraude, os entrevistados foram lembrados pelos pesquisadores da informação de que Bolsonaro costuma questionar a integridade do sistema eleitoral e ventilar a possibilidade de problemas. Ele, contudo, não apresenta provas.

A suspeição criada pelo mandatário é um dos elementos de sua campanha à reeleição, o que enseja o temor de que ele possa refutar o resultado caso saia derrotado. Bolsonaro está em segundo lugar no placar de intenções de voto, com 27%, atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 48%.

A concordância com a ilação sobre fraude é maior do que a média quando considerados somente os que declaram voto no atual presidente. Dentro desse grupo, 60% dizem haver muita chance de isso acontecer e 21% respondem haver algum risco, totalizando 81%. Para 16%, não existe essa possibilidade.

Entre eleitores de Lula, a maioria (57%) descarta a situação, enquanto 21% veem muito perigo e 20% enxergam alguma possibilidade, perfazendo um total de 41% de receosos diante do sistema eleitoral. Nos recortes dos dois presidenciáveis, a taxa dos que não sabem é de 2%.

Na população geral, segundo a amostragem da pesquisa, a tese de vulnerabilidade encontra maior adesão em estratos nos quais o presidente possui maior vantagem até aqui em intenções de voto.

A afirmação de que há muito risco alcança 62% entre os que acham o governo Bolsonaro ótimo ou bom, 49% entre empresários, 44% entre moradores da região Centro-Oeste, 43% entre pessoas com renda familiar acima de dez salários mínimos e 43% entre evangélicos.

No recorte por gêneros, a ideia de que a chance de fraude é alta chega a 35% entre homens e a 33% entre as mulheres. A de que é média obtém, respectivamente, 17% e 24%. E a de que é nula vai a 47% e 40%, respectivamente.
Quando observado o nível de escolaridade, a maior rejeição à suspeita de falha está na faixa dos que possuem ensino superior: 54% dizem não acreditarem em manipulações.

Entre quem tem o fundamental, é maior a proporção dos que não veem perigo (43%) do que os que enxergam risco alto (34%).

Bolsonaro deu nesta quinta-feira (26) mais uma demonstração de que não se compromete em aceitar o resultado das eleições, ao responder evasivamente a essa pergunta durante entrevista em Brasília.

Questionado se pode assegurar que respeitará a contagem das urnas eletrônicas, mesmo que não seja reeleito, ele disse apenas: “Democraticamente, eu espero eleições limpas”.

Nas últimas semanas, o presidente fez diversas insinuações golpistas em relação ao sistema eleitoral brasileiro, enquanto ministros do TSE e do STF (Supremo Tribunal Federal) deram respostas duras às ilações do chefe do Executivo.

No início deste mês, Bolsonaro afirmou que uma empresa será contratada por seu partido, o PL, para fazer uma auditoria privada das eleições deste ano. E sugeriu, em tom de ameaça, que os resultados da análise podem complicar o TSE se a tal firma constatar que é “impossível auditar o processo”.

Também nesta quinta, Bolsonaro disse que desconfiar das urnas e do sistema eleitoral é um direito dele. Rebateu ainda declaração do ministro do Supremo Alexandre de Moraes, que assumirá o comando do TSE em agosto e estará à frente da corte durante o processo eleitoral.

“Da minha parte, você não vê ataques. Agora, desconfiar é um direito meu. Estou num país democrático. Por que o senhor Moraes diz que o candidato que porventura duvidar da urna eletrônica terá o registro cassado e preso? Quem ele pensa que é?”, afirmou.

A investida contra o sistema eleitoral por Bolsonaro começou com a defesa do voto impresso, derrotada no Congresso. Depois, o presidente aproveitou o convite da corte eleitoral para as Forças Armadas integrarem a Comissão de Transparência das Eleições para elevar o tom contra o tribunal.

Testes públicos do sistema de votação feitos no início deste mês pelo TSE não encontraram vulnerabilidades, segundo o órgão. Os estudos, que incluíram simulações de ataques hackers, concluíram pela inexistência de brechas que possam atrapalhar o pleito deste ano.

A pesquisa Datafolha também mostrou que a confiança do brasileiro nas urnas eletrônicas, em meio à ofensiva de Bolsonaro, caiu desde março, mas ainda é majoritária na população. No total, 73% responderam que confiam no sistema, enquanto 24% afirmam não confiar e outros 2% não sabem.

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