O triste cenário que a pandemia deixou em importante região do Centro de Goiânia

Número de pessoas em situação teve crescimento de 50%, sendo a região em torno da Avenida Independência e 44 uma das mais críticas da capital

Emilly Viana -
Número de pessoas morando na rua aumentou durante a pandemia. (Foto: Emilly Viana/Portal 6)

Uma breve caminhada pela Avenida Independência, em Goiânia, é suficiente para encontrar dezenas de pessoas em situação de rua.

O cenário se repete em inúmeros pontos da cidade, sobretudo nos bairros do setor Central. São dezenas de barracas, enfileiradas ao longo das avenidas, debaixo de túneis, pontes e viadutos.

Mesmo com as dificuldades da Administração Municipal em mapear a população que vive nas ruas, o número de pessoas nestas condições teve crescimento de 50% na capital.

Os dados são da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social (SEDHS), que apontam que, entre 2020 e 2021, o grupo passou de 1,2 mil para 1,8 mil pessoas. O aumento é observado, sobretudo, nas proximidades da Rodoviária de Goiânia e da famosa 44.

“Antes da pandemia, eles ficavam por aqui e nós até os conhecíamos, pelo convívio. Mas agora aumentou muito, vindo de outros estados também, e ficam na região porque é fácil pedir ajuda nessa movimentação”, contou a empresária Luisa Márcia Oliveira.

A vendedora Talita Cristina Alves confirma a particularidade da região. “Tem muita gente de Goiás, mas a migração de outros estados e de outros países é muito forte. A gente nota que, muitas vezes, eles chegam sem nada e sem conhecer ninguém, dependendo só do auxílio dos passantes”, revelou.

Já para a operadora de caixa Larissa Martins, os próprios moradores e trabalhadores contribuem para que estas pessoas sejam marginalizadas e não recebam a ajuda necessária.

“Eu nunca me senti ameaçada perto de um morador de rua, mas tem gente que trata mal e só vê aquela situação como um problema de segurança”, pondera.

Segundo o gerente do Serviço Especializado para Pessoas em Situação de Rua da SEDHS, Marcos Prado, a Prefeitura organiza um novo censo para identificar em breve o contingente de pessoas que vivem nas ruas. Porém, ainda não há cronograma definido.

“Ainda sim, estimamos que entre 60% e 70% deste pessoal seja de pessoas que não nasceram no município”, salienta.

Estudos

Pesquisadora do Núcleo de Estudos sobre Criminalidade e Violência (Necrivi) da Universidade Federal de Goiás (UFG), Karen Pessoa afirma que é possível falar em aumento visual, conforme indicação de movimentos sociais e da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social.

“Mas, para qualquer afirmação categórica de que são pessoas em situação de rua ou que essa população tem aumentado nos últimos anos, se requer um estudo e um olhar mais atento”, analisa.

No caso de setores do Centro, a professora da UFG também indica que, como a localização de instituições e entidades de assistência e filantropia estão mais acessíveis nessas regiões, o movimento é retroalimentado.

“Os locais se tornam pontos de referência para as entidades encontrarem a população e realizar suas ações. Também se tornam pontos de referência para a população encontrar as ações de assistência, distribuição de alimentos e ajuda de que precisam”, afirma.

Políticas públicas

Na visão da pesquisadora, é impossível falar do aumento das vulnerabilidades sociais sem levar em consideração o momento sanitário e econômico mundial por conta da pandemia da Covid-19.

“E nesse período, a falta de ação mais contundente para o social contribuiu em muito para a quebra da economia, além do aumento da taxa de desemprego e aumento da taxa de pobreza da população brasileira”, avaliou.

O problema, segundo ela, ainda pode pesar em outros segmentos. “Não podemos ignorar a oneração para o próprio Governo, uma vez que essa família se torna mais dependente de ações e programas de assistência social”, concluiu.

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