Trabalhadora do DAIA supera falta de estrutura e fica entre as melhores do país no atletismo

Atleta acorda às 04h e não dispõe do básico para treinar, mas brilhou no Troféu Brasil

Lucas Tavares -
Regiane Braga de Souza, velocista número um dos 5 mil metros rasos, em Goiás. (Foto: Reprodução/ Instagram)

A anapolina Regiane Braga de Souza, de 35 anos, ficou entre as 10 melhores velocistas do Troféu Brasil de Atletismo, realizado no sábado (02), no Rio de Janeiro.

Auxiliar de logística em uma montadora do Distrito Agroindustrial de Anápolis, ela treina em apenas um período do dia em vias públicas, como rodovias na zona urbana da cidade.

De acordo com Regiane, apesar do esforço de pessoas envolvidas com o esporte, como o técnico dela, Genivaldo José Caixeta, ainda não existem lugares adequados para a prática do atletismo no município.

Foi através de um projeto do atual treinador que ela iniciou na modalidade, em um núcleo de iniciação no bairro Filostro Machado.

“Iniciei nos saltos em distância e triplo, provas que ainda sou recordista estadual. Todo meu treinamento sempre foi desenvolvido aqui em Anápolis”, disse ao Portal 6.

Os bons resultados conquistados por ela não escondem as dificuldades enfrentadas e a falta de apoio financeiro de governos e prefeitura.

“Eu trabalho no DAIA, acordo às quatro da manhã e só retorno para casa as 17h30. Chego e saio para fazer os meus treinos. Nas BR’s mesmo, porque a gente não tem um lugar apropriado para treino”, lamentou.

“Não tenho nem mesmo um acompanhamento nutricional. Faço o possível para comer da maneira correta”, continua.

Mesmo com a falta de investimento, a velocista afirma que Anápolis é um celeiro de atletas prodígios.

“Anápolis já revelou grandes talentos para o atletismo. Porém, muitos pararam por lesões, principalmente por não termos uma pista adequada para realizar os treinamentos”.

Melhor colocada no ranking estadual da prova dos 5 mil metros rasos e décima no nacional, Regiane espera conquistar muito mais.

“O top 10 não é o que eu e meu treinador esperávamos. Queríamos muito mais, porém cheguei cansada da longa viagem terrestre e ainda tive distúrbios alimentares. Esperávamos estar entre as cinco”, afirmou.

“O objetivo é estar entre as principais atletas do Brasil até o final do ano”, projetou.

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