Escalada da fome em Goiânia sobe ainda mais e ONG’s enfrentam problemas para atender demanda
Portal 6 ouviu entidades que atuam nas ruas da capital e relatos são preocupantes e de partir o coração
Quem circula por Goiânia e olha de maneira mais atenta para as ruas da cidade, já deve ter percebido que aumentou o número de pessoas desabrigadas ou em situação de vulnerabilidade social.
A situação ficou ainda mais grave após a pandemia causada pela Covid-19. Apesar dos números de mortes e infectados não serem alarmantes como no início, o cenário social ainda é bastante complicado.
Ao Portal 6, Maylla Rigonato, assistente social da ONG Tio Cleobaldo, contou que, nos últimos dois meses, o número de refeições servidas por eles aumentou, chegando a 30 mil. E que apesar dos esforços, muitas pessoas estão voltando pra casa sem serem servidas.
“Faz dois meses que aumentou muito o número de pessoas. Somos a única instituição que entrega este número tão alto de comida. Cada vez que a gente sai com comida, não está dando. A fila tá dando voltas, o morador de rua é número x, mas tem muita gente que mora próximo, mas não tem gás. Ela busca a refeição para almoçar no outro dia”, revelou.
Apesar do número de pessoas que buscam ajuda ter aumentado, a quantidade de doações de alimentos não acompanhou o mesmo ritmo. São 60 voluntários que trabalham na preparação e entrega das refeições.
“O número de doações parou de aumentar. Muitas pessoas deixaram de doar por conta da situação financeira. Se chegarem alimentos para nós, nós conseguimos ajudar, nós estamos vendo que as nossas comidas são poucas. No domingo (30), foi assustador na Praça Joaquim Lúcio, em Campinas. Estava dando volta na praça, a gente dando uma por pessoa e elas imploravam por mais”.
Esse reflexo também é compartilhado por Guilherme França, voluntário na ONG Fabiano de Cristo.
Ao Portal 6, ele contou que o perfil das pessoas assistidas pelas ONGs mudaram durante a pandemia da Covid-19. Ao invés de serem apenas moradores de rua, são cidadãos que tem onde morar, mas não conseguem se alimentar.
“Tem dois meses que a gente vem observando esse aumento, não são só pessoas que buscam, alguns são trabalhadores, pais de família, crianças, idosos. A doação antes da pandemia era para as pessoas em situação de rua e durante a pandemia mudou. Muitas não vivem em situação de rua, mas não estão conseguindo se alimentar. Esse perfil mudou”, contou.
Guilherme também destacou o aumento que houve na entrega de refeições. Em um deles, no Hospital Araújo Jorge, o aumento foi de 42%, enquanto que na Avenida 44, o acréscimo foi de 33%.
“No Araújo Jorge, antes da pandemia, a gente entregava cerca de 70 marmitex, mas lá agora estamos entregando por volta de 100. Na 44, com a Independência, nós levávamos 150, hoje nós estamos tendo que entregar 200”.









