A ave que pode ser a primeira espécie a voltar à vida após a extinção
O impossível torna-se pauta entre laboratórios e debates sobre ética ambiental

O dodô (Raphus cucullatus) é talvez o símbolo mais conhecido de extinção causada por mãos humanas. A espécie de ave, incapaz de voar e endêmica da ilha de Maurício, no Oceano Índico, foi registrada no final do século XVI e desapareceu por volta de 1662.
Isso em menos de um século após seu primeiro contato com exploradores europeus, processo acelerado pela caça e por predadores introduzidos, como porcos e ratos.
Durante séculos, o dodô ficou extinto e quase mítico, lembrado em livros, pinturas e expressões populares sobre obsolescência e desaparecimento. Mas, hoje, avanços científicos colocam sua possível “ressurreição” no centro de debates na biologia e conservação.
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A empresa americana Colossal Biosciences tem investido em tecnologias de de-extinção, abordagem que usa edição genética e células-tronco para recriar organismos de espécies extintas, com o objetivo de restaurar traços do dodô em aves vivas.
Os cientistas envolvem passos altamente técnicos, começando pela obtenção de fragmentos de DNA do dodô preservados em museus e pela comparação com seu parente vivo mais próximo, o pombo-de-Nicobar.
A partir daí, genes característicos do dodô são editados no genoma dos primos vivos, com células germinativas primordiais sendo cultivadas e, em seguida, inseridas em embriões de aves hospedeiras que podem desenvolver indivíduos com características semelhantes às da espécie original.
Segundo notícias recentes da própria Colossal, a equipe teria conseguido cultivar células-tronco de pombo essenciais ao processo e, com isso, avançou a previsão de que um dodô “ressuscitado” poderia surgir nos próximos cinco a sete anos, embora muitos desafios científicos e ecológicos ainda existam antes de uma população viável ser reintroduzida em Maurício.
Esse projeto destaca não apenas o fascínio e a carga simbólica de trazer uma espécie extinta de volta à vida, mas também as complexas questões éticas e ambientais que surgem com a des-extinção.
Especialistas alertam que, apesar de tecnicamente promissora, a iniciativa não substitui a necessidade urgente de proteger espécies hoje ameaçadas; e que a restauração de um ecossistema completo exige mais do que apenas um animal icônico retornando a pé.
Veja mais detalhes do paradeiro do Dodô:
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