Candidato negro ao MPGO é humilhado por motorista de aplicativo em Goiânia e leva o caso à polícia
Em depoimento, a vítima relatou ataques discriminatórios e xenofóbicos durante trajeto. Caso está sendo investigado pela Deacri

“Promotor de Justiça? Você foi alto, né? Eu pensava que você tinha vindo para fazer teste de serviço de pedreiro ou de vigilante.”
Essas foram as palavras proferidas por um motorista de aplicativo a um candidato negro ao cargo de promotor de Justiça do Ministério Público de Goiás (MPGO) durante uma corrida em Goiânia na última sexta-feira (30).
A frase inicial marca o tom de um trajeto repleto de comentários racistas e xenofóbicos que levou a vítima a registrar um boletim de ocorrência por injúria racial na Delegacia Estadual de Atendimento à Vítima de Crimes Raciais e de Intolerância (Deacri).
A coluna Rápidas do Portal 6 teve acesso ao registro, em primeira mão.
O motorista, já identificado pela Polícia Civil (PC), tem 52 anos e proferiu comentários ainda mais ofensivos ao saber o estado de origem da vítima.
“Onde a esquerda entra, dá problema”, afirmou, citando estados como Ceará e Bahia como “bagunçados”.
O condutor reforçou seu posicionamento preconceituoso ao afirmar que políticos devem ser de “famílias ricas e tradicionais”, pois “pobre, quando pega dinheiro, é que nem mel”.
Como tudo começou
A vítima, natural de Teresina, Piauí, solicitou a corrida pela plataforma 99 Pop na Avenida Portugal, no Setor Marista, com destino ao Mercado Central.
Ao informar ao motorista que era piauiense e estava em Goiânia para realizar o concurso do MPGO, o condutor reagiu com desdém e preconceito, disparando comentários que atacavam tanto sua condição de homem negro quanto sua origem nordestina.
Durante o trajeto, o motorista também mencionou, em tom de incômodo, a chegada de estrangeiros e migrantes à cidade, sugerindo que tais grupos buscavam se aproveitar do crescimento econômico local.
A vítima, que viajava desacompanhada e estava com limitações de locomoção por uma crise de nervo ciático, preferiu não reagir de imediato para preservar sua integridade física.
Após desembarcar, o piauiense reportou o incidente à plataforma 99 e buscou orientação no próprio MPGO, que o encaminhou à Deacri para formalizar a denúncia.
Investigação iniciada
O boletim de ocorrência tipifica o crime como injúria racial conforme o Art. 2°-A da Lei 7.716/1989, que criminaliza injúrias baseadas em raça, cor, etnia ou procedência nacional.
A vítima apresentou registros digitais da corrida e do contato realizado com a empresa de aplicativo como provas do incidente e manifestou interesse em representar criminalmente contra o motorista.
A coluna Rápidas apurou que a Deacri já deu início às diligências para investigar o episódio.
O Portal 6 procurou a 99 para comentar o caso e aguarda retorno da assessoria de imprensa da empresa.







