Irã pode ser derrubado em uma noite, e essa noite pode ser amanhã, diz Trump

Mais cedo, em um evento, o presidente foi questionado se não considerava que estava cometendo crimes de guerra

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Trump diz que "Cuba é a próxima" em discurso
(Foto: Divulgação/Casa Branca)

ISABELLA MENON

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) – Em meio a pressão para que o Irã aceite um acordo para abrir o estreito de Hormuz proposto pelos Estados Unidos, o presidente Donald Trump afirmou nesta segunda-feira (6) que o país inteiro pode ser destruído em uma noite.

“Essa noite pode ser amanhã”, disse o republicano em pronunciamento à imprensa, dando novo prazo para seu ultimato à liderança persa: esta terça (7), 21h, pelo horário de Brasília.

Mais cedo, em um evento ao lado da primeira-dama Melania Trump, o presidente foi questionado se não considerava que estava cometendo crimes de guerra ao ameaçar atingir pontes e usinas de energia no Irã. Ele negou e se referiu a iranianos como animais. “Não, porque eles são animais”, disse o presidente.

Durante o pronunciamento à tarde, Trump falava ao lado do secretário de Defesa, Pete Hegseth, do general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas americanas, e de John Ratcliffe, diretor da CIA. Na sala, também estavam presentes familiares de Trump, além de Steve Witkoff, enviado especial para o Oriente Médio.

Questionado sobre cessar-fogo e possibilidade de reabertura do estreito de Hormuz, o presidente disse que não poderia falar sobre cessar-fogo, mas disse que os EUA têm “um participante ativo e disposto do outro lado”, afirmou. “Eles gostariam de conseguir fechar um acordo. Não posso dizer mais do que isso.”

Também disse que parte do acordo consiste na abertura de Hormuz para “livre trânsito do petróleo”, mas não detalhou o acordo.

No início da fala, Trump deu detalhes sobre o resgate dos aviadores americanos cujo caça foi atingido por forças do Irã na sexta (3), dizendo que a operação para resgatá-los envolveu 155 aeronaves e ações para despistar os iranianos. Segundo Trump, foi uma das mais complexas ações militares da história dos EUA.

Os dois tripulantes -um piloto e um oficial de sistemas de armas de aeronave- se ejetaram segundos antes de o caça ser atingido e se chocar violentamente contra o solo. Os militares se separaram, com o primeiro mantendo “comunicação constante” com sua unidade e sendo resgatado no dia da queda, cerca de seis horas depois, por uma força que incluía aviões de ataque e helicópteros.

O oficial de sistemas, por sua vez, subiu uma montanha de cerca de 2.100 metros de altura e se escondeu em uma fenda até ser encontrado pelas forças americanas. As intensas buscas levantaram preocupações de que o segundo militar desaparecido, caso fosse capturado pela regime iraniano, pudesse ser usado como forma de pressão contra Washington. O Irã ofereceu uma recompensa para quem o encontrasse.

Hegseth comparou o resgate do operador com o Tríduo Pascal, período entre sexta-feira e domingo de Páscoa. “Abatido em uma sexta-feira: Sexta-feira Santa. Escondido em uma caverna, em uma fenda, durante todo o sábado”, disse o secretário. “E resgatado no domingo. Retirado do Irã enquanto o sol nascia no Domingo de Páscoa.”

O secretário de Defesa tem feito uma série de referências religiosas cristãs na comunicação oficial sobre a guerra, dizendo, inclusive, que os soldados americanos lutam por Jesus Cristo.

Além de detalhar a operação, Trump demonstrou irritação com a imprensa e com uma pessoa que ele chamou de “vazador” por divulgar, na sexta-feira, que o piloto do avião havia sido resgatado com sucesso antes de o segundo membro da tripulação estar em segurança.

“Vamos conseguir descobrir [sua identidade] porque vamos até a empresa de mídia que divulgou isso e vamos dizer: segurança nacional, revele a fonte ou vá para a prisão”, disse Trump. “A pessoa que fez a reportagem vai para a cadeia se não disser.”

Mais cedo, durante o tradicional evento de Páscoa na Casa Branca, o presidente Donald Trump voltou a ameaçar o Irã ao responder perguntas de jornalistas, e afirmou que os Estados Unidos estariam “destruindo o país” devido à recusa de sua liderança em ceder.

Ele também declarou que os americanos estariam agora diante de uma terceira geração de líderes iranianos, que, segundo ele, “não é tão radicalizada”.

O presidente voltou a ser questionado sobre mudança de regime no Irã e disse que os americanos deveriam confiar mais nele, apesar de não detalhar o que planeja para o país persa. “Eu tenho o melhor plano de todos”, disse ele. “Mas, não vou contar qual que é esse plano.”

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