Vanessa Marega: mulher que vendia iPhones até 70% mais baratos foge de Anápolis e deixa quase R$ 1 milhão em prejuízo
Ofertas de celulares e eletrodomésticos com descontos agressivos atraíram dezenas de vítimas

“Não iremos responder nenhuma mensagem após essa, nem atender ligações. Nós entraremos em contato”, dizia a mensagem automática enviada pelo WhatsApp.
O aviso padrão foi recebido nesta segunda-feira (13) por diversas vítimas de Vanessa Reges de Almeida ao tentarem pedir novas informações sobre o ressarcimento de valores pagos.
Conhecida como Vanessa Marega, a empresária atraiu grande atenção e clientela em Anápolis ao fazer promoções de eletrodomésticos e eletrônicos com descontos que beiravam o absurdo. Por exemplo, celulares iPhones eram vendidos com até 70% de desconto.
As ofertas extravagantes, claro, atraíram muitos curiosos, mas também uma quantidade enorme de vítimas que fizeram pagamentos sem nunca receber as mercadorias.

Aviso automático é disparado sempre que alguém encaminha mensagem ao número da empresária. (Imagem: Captura de tela)
Divulgação era feita em grupos de WhatsApp
Uma das vítimas contou ao Portal 6, sob condição de anonimato, como caiu no golpe da empresária.
Segundo o relato, a vítima entrou em um grupo de vendas chamado “Grupo Vip” por indicação de uma amiga e permaneceu acompanhando as supostas promoções por algum tempo, já desconfiada da dinâmica das ofertas.
Ainda assim, afirma que acabou convencida após ver a movimentação constante de compras e supostos depoimentos de entregas feitas a outros participantes.
“Eu pensei: ‘isso é golpe, mulher’. Mas diziam que parentes tinham comprado e recebido, então eu fui acreditando”, disse à reportagem.
A vítima relata que decidiu comprar um ar-condicionado anunciado por cerca de R$ 1.300, valor abaixo do praticado no mercado. O pagamento foi feito via Pix, sob a promessa de que após o depósito, receberia instruções sobre onde retirar o aparelho à pronto entrega.
“Depois que eu fiz o pagamento, ela me bloqueou e eu nunca mais consegui falar nada com ela”, afirma a vítima.
Mesmo após o bloqueio, ela diz que continuou no grupo para entender o funcionamento do esquema e acompanhar outras possíveis denúncias. Segundo ela, o ambiente seguia ativo, com novas ofertas sendo publicadas e outros consumidores fazendo pagamentos.
Mesmo após as primeiras denúncias, novas vendas continuavam sendo divulgadas, o que aumentou a indignação entre os membros.
“Até sexta-feira ela ainda estava vendendo dentro do grupo”, disse.
A vítima afirma ainda que muitas pessoas não formalizaram denúncia por medo de ameaças ou de complicações judiciais, já que a suspeita teria citado possíveis ações legais contra críticas.
Golpes somam quase R$ 1 milhão em prejuízo
Os relatos de vítimas se multiplicam. Pelo menos outras 100 pessoas alegam ser vítimas da empresária. Os credores se organizaram em grupos no WhatsApp para denunciarem em conjunto os danos sofridos.
Em um dos grupos, chamado de “Calotes de Vanessa”, os membros circulam uma lista com nomes e valores perdidos pelas vítimas. A soma dos supostos ‘calotes’ já chega a quase R$ 1 milhão até esta segunda-feira (13).
Os membros se mobilizam para denunciar o caso ao Ministério Público de Goiás (MPGO), por meio do canal MP Cidadão, além dos registros de ocorrência na Polícia Civil (PCGO).

Grupos de vítimas somam centenas de participantes. (Imagem: Captura de tela)
Casos se acumulam no Judiciário
No âmbito do Poder Judiciário goiano, chama atenção o acúmulo de processos envolvendo Vanessa e a empresa Marega Estética e Comércio LTDA.
Em consulta rápida feita Portal 6 no sistema Projudi, foram encontradas nove ações judiciais contra a empresária e a pessoa jurídica, todas protocoladas a partir do mês de março.
Os processos tramitam em diferentes instâncias e tratam, em sua maioria, de pedidos de restituição de valores pagos por produtos que não teriam sido entregues.
Enquanto a empresária não se manifesta publicamente sobre os prejuízos causados, o volume de ações se multiplica, e devem aumentar ainda mais nos próximos dias.
Ainda não há desfecho definitivo nos processos consultados.
Vanessa não está mais em Anápolis
Nos grupos das vítimas, a informação é de que Vanessa Marega não é mais vista desde o fim de março, período em que começaram a se intensificar as reclamações e ações judiciais contra ela e a empresa.
Há também informações repassadas pelos próprios consumidores de que a empresária teria deixado o estado de Goiás após o aumento das denúncias. Até o momento, não há confirmação oficial sobre seu paradeiro.
A reportagem tentou contato com a defesa de Vanessa Marega, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.
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