Pessoas que cresceram sem elogios carregam um traço silencioso na vida adulta, aponta a psicologia

A falta de elogios na infância pode moldar adultos mais autocríticos, resilientes e desconfortáveis diante do reconhecimento

Gustavo de Souza -
Pessoas que cresceram sem elogios carregam um traço silencioso na vida adulta, aponta a psicologia
(Foto: Ilustração/Pexels/Vika Glitter)

Nem sempre a ausência de elogios deixa marcas evidentes. Em muitos casos, ela aparece de forma despercebida na vida adulta, principalmente na dificuldade de reconhecer o próprio valor sem recorrer à autocobrança.

Quem cresceu ouvindo poucas palavras de incentivo pode aprender cedo a funcionar no modo da autossuficiência. O esforço passa a ser medido por critérios internos, e não pelo reconhecimento vindo de outras pessoas.

Segundo a American Psychological Association (APA), elogios voltados ao esforço e às estratégias usadas pela criança tendem a favorecer resiliência, motivação e aprendizado. Quando esse tipo de validação falta, a pessoa pode desenvolver uma relação mais rígida com o próprio desempenho.

Na prática, isso pode gerar adultos disciplinados, focados e capazes de seguir em frente mesmo sem aplausos. Porém, também pode provocar desconforto diante de elogios, como se cada reconhecimento viesse acompanhado da obrigação de manter um padrão elevado.

Estudos sobre motivação indicam que recompensas externas muito controladoras podem enfraquecer o interesse autônomo. Por outro lado, a validação saudável ajuda a criança a construir segurança emocional sem depender totalmente da aprovação alheia.

Na vida adulta, o traço pode aparecer em atitudes simples: minimizar conquistas, evitar comemorações, recusar elogios ou responder a reconhecimentos com justificativas. Para essas pessoas, aceitar uma palavra positiva pode parecer mais difícil do que enfrentar uma crítica.

A psicologia aponta que autoestima e relações sociais se influenciam ao longo da vida. Por isso, aprender a receber elogios não significa depender deles, mas permitir vínculos mais leves e humanos.

A autonomia emocional é valiosa. No entanto, uma vida mais equilibrada nasce quando a pessoa entende que pode ser forte sem precisar negar o próprio mérito.

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Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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