UFG cria ferramenta capaz de prever surtos de doença que matou milhões de pessoas
Pesquisa acompanhou em tempo real as variações no vírus causador, se antecipando a novas ondas
Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade Federal de Goiás (UFG) criou uma ferramenta capaz de prever surtos de uma doença que matou milhões de pessoas entre 2020 e 2023: a Covid-19.
O estudo partiu do Núcleo de Modelagem do Centro de Excelência em Tecnologia e Inovação em Saúde (Ceti-Saúde). A equipe foi liderada pelo coordenador José Alexandre Diniz-Filho e examinou quase nove mil genomas do SARS-CoV-2 para que isso fosse possível.
O objetivo era compreender como as mudanças genéticas do vírus e o surgimento de novas variantes influenciaram o número de casos e mortes por Covid-19 em Goiás.
Além de rastrear as variantes já conhecidas, os pesquisadores da UFG se anteciparam: buscavam acompanhar as transformações do vírus mês a mês, observando em tempo real qualquer mudança relevante do material antes mesmo da nova variante ganhar nome oficial.
Com esse método, as descobertas podem oferecer, por exemplo, uma janela de antecipação às autoridades de saúde pública. Assim, elas têm mais tempo para se preparar antes que novas ondas se consolidem.
A análise conseguiu mapear os três principais períodos vividos no estado. O primeiro foi no início de 2021, quando chegou a variante gama, que provocou aumento expressivo no número de casos e de óbitos.
O segundo, no final de 2021. Marcou a entrada da ômicron, responsável pela maior diversificação vista no estudo, que chegou com altíssima transmissibilidade e se espalhou rapidamente.
O terceiro período ocorreu no fim de 2023, quando já não havia nenhuma nova variante circulando o suficiente para causar alerta. Isso demonstrou, para os pesquisadores, que o vírus continuava evoluindo mesmo depois de a pandemia se estabilizar.
Para o professor José Alexandre, o estudo mostrou “a importância de manter sistemas de vigilância eficientes, mostrando como o trabalho conjunto entre ciência, monitoramento constante e vacinação pode reduzir danos e salvar vidas”.
Além do comportamento de cada momento da pandemia, a pesquisa foi capaz de medir a proteção fornecida pelas vacinas. A explicação está na ômicron, que foi a que mais “escapou” da imunidade adquirida pela variante anterior e ainda assim causou menos hospitalizações e mortes.
Isso porque, quando ela surgiu, a campanha de imunização já havia atingido uma grande parcela da população brasileira.
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