Taxa das Blusinhas: CDL Anápolis aponta risco de desemprego no comércio local por “concorrência desleal” com o exterior

Em entrevista ao Portal 6, presidente da entidade argumentou que isenção de impostos deve ser aplicada para o mercado interno também

Augusto Araújo Augusto Araújo -
Taxa das Blusinhas: CDL Anápolis aponta risco de desemprego no comércio local por “concorrência desleal” com o exterior
Presidente da CDL Anápolis, Luis Miguel Mendes indicou que comércio local pode sofrer com impactos do fim da Taxa das Blusinhas. (Imagem: Reprodução)

A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Anápolis divulgou uma nota pública, nesta quinta-feira (14), manifestando repúdio à Medida Provisória nº 1.357/2026, que zerou o imposto da chamada “Taxa das Blusinhas”, para compras internacionais de até US$ 50 realizadas em plataformas estrangeiras.

No comunicado, argumenta que a medida cria uma concorrência desigual entre empresas nacionais e gigantes estrangeiras do comércio eletrônico (confira documento na íntegra ao final da matéria).

Em entrevista ao Portal 6, o presidente da CDL, Luis Miguel Mendes, explicou que isso se deve ao grande volume de taxações que são impostas aos comerciantes locais.

“A gente pode falar assim de um modo mais simplista, numa média, envolvendo todos os tipos de regimes tributários, a gente tem aí de 30 a 35% de carga tributária de imposto chegando ao consumidor final. Por exemplo, bebidas alcoólicas e não alcoólicas, tem bebida que chega a 50, 60%”, salientou o dirigente.

Dentre os seguimentos que devem ser mais afetados, ele trouxe como exemplo os de confecções vestuários, acessórios para celulares e computadores, perfumarias e até itens de utilidades domésticas.

“Uma panela de pressão, é, tem ali cerca de 40% de imposto, tá? Então uma panela hoje que é vendida por R$ 160, nós estamos falando de algo próximo ali a quase R$ 60 de imposto. E aí cria uma competição desleal para o mercado interno”, argumentou Luis.

Isonomia

Ainda que o tom do posicionamento seja bastante incisivo contra a publicação da Medida Provisória nº 1.357/2026, o presidente da CDL afirma que a crítica da entidade não é contra a Taxa das Blusinhas em si.

“Nós não somos contra a retirada do imposto. Nós somos muito a favor. O que nos chama atenção e o que nos deixa contra é que é retirado somente para plataformas e empresas estrangeiras. A empresa brasileira, que gera emprego no Brasil, e que já tem encargos e impostos, ela paga imposto. Então, cria uma concorrência desleal com o nosso mercado interno”, pontuou.

Diante desse cenário, Luis afirma que existe a possibilidade de consequências muito ruins, visto que os pequenos empreendimentos não terão condições de competir com as grandes empresas internacionais.

“O nosso risco de criar desemprego, devido a isso, é muito alto. Em que volume?  Aí é só as próximas ações que vão nos dizer”, destacou.

Por fim, o dirigente disse que a luta dos lojistas é para que as autoridades políticas escutem a classe produtiva e entendam que a mesma retirada de impostos deve ser aplicada para o mercado interno no Brasil.

“O comerciante gostaria de estar vendendo mais barato para vender em maior volume. A indústria gostaria de vender mais barato para vender em maior volume. Quando o o seu salário consegue comprar mais, você gasta mais. Mas essa carga tributária, ela impede de que você consuma mais e consequentemente o comércio vende menos, a indústria produz menos”, concluiu.

Dia Livre de Impostos

Durante a entrevista concedida ao Portal 6, Luis lembrou que, no dia 28 de maio, diversas empresas de Anápolis vão participar da campanha nacional Dia Livre de Impostos.

A iniciativa, promovida pela CDL no município, visa conscientizar e mostrar o impacto das taxações que incidem sobre os produtos e serviços no país.

Assim, a proposta é que o comércio realize vendas sem que a carga tributária seja repassada ao consumidor. Com isso, o desconto pode chegar a até 30% do valor final.

Empresas interessadas em participar da iniciativa ainda podem se inscrever. O cadastro segue aberto até 25 de maio e deve ser feito pelo site do CDL Jovem Anápolis.

É por este mesmo portal que consumidores poderão conferir a lista, posteriormente, das companhias participantes e dos itens com desconto.

Confira a seguir a nota na íntegra divulgada pela CDL Anápolis:

“NOTA DE REPÚDIO: EM DEFESA DO COMÉRCIO, DA INDÚSTRIA E DOS EMPREGOS BRASILEIROS

A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Anápolis, representando os interesses do setor produtivo e comercial de nossa cidade e região, vem a público manifestar seu veemente *REPÚDIO à Medida Provisória nº 1.357/2026*. (Taxa das Blusinhas).

O comércio brasileiro sobrevive, há décadas, em um cenário de extrema adversidade. Nossos lojistas e empreendedores carregam nas costas uma das mais pesadas e complexas cargas tributárias do mundo. Como se não bastasse, lidamos diariamente com elevados encargos sociais, burocracia sufocante e altos custos operacionais, desde a logística até o valor dos aluguéis comerciais. Empreender no Brasil é, antes de tudo, um ato de resistência e coragem.

Diante desta dura realidade, a publicação desta Medida Provisória soa como um golpe desleal àqueles que geram emprego, renda e desenvolvimento dentro do nosso país. Se o Governo Federal entende que é viável, sob a ótica econômica, abrir mão de arrecadação e isentar de impostos as compras de até 50 dólares realizadas em grandes plataformas estrangeiras, a pergunta que ecoa em cada balcão de loja no Brasil é clara: *por que não conceder a mesma condição e isenção às empresas brasileiras?*

A manutenção dessa isenção unilateral para empresas do exterior consolida uma concorrência covarde. O Governo pune severamente quem produz e vende aqui, quem assina a carteira do trabalhador brasileiro, quem investe em nossas cidades e quem recolhe os impostos que sustentam a própria máquina pública e os projetos sociais. Estamos, na prática, exportando nossos empregos e importando o fechamento de postos de trabalho.

Nossa manifestação não é, em hipótese alguma, contra o consumidor brasileiro. O cidadão tem o direito legítimo de buscar os melhores preços e produtos. No entanto, a verdadeira defesa do consumidor passa obrigatoriamente pela manutenção do seu emprego e do seu poder de compra, que são gerados prioritariamente pelos pequenos, médios e grandes negócios nacionais. Se a indústria nacional perde competitividade e para de produzir, e se o comércio local fecha as suas portas, a economia entra em colapso e, no fim, é o próprio cidadão quem paga a conta com o desemprego.

A CDL Anápolis não pede privilégios; *nós exigimos isonomia*. Queremos apenas igualdade de condições para competir. Se o produto estrangeiro de até 50 dólares entra no Brasil sem tributação, que o produto nacional da mesma faixa de valor também seja isento de impostos na prateleira do lojista e na saída da indústria brasileira.

Conclamamos os deputados federais, senadores, autoridades competentes e toda a sociedade civil a se unirem contra os efeitos nocivos dessa política. O Brasil precisa urgentemente de medidas que aliviem o “Custo Brasil” e incentivem quem produz internamente, e não de decisões que asfixiem o nosso comércio e a nossa indústria em detrimento do mercado nacional.”

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Augusto Araújo

Augusto Araújo

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás, é editor do Portal 6. Já atuou em veículos como o Jornal Opção e tem experiência em assessoria de comunicação. Apaixonado por esportes, preza pela apuração rigorosa, pela clareza na informação e pelo compromisso com o interesse público.

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