Salário mínimo para viver com dignidade em Anápolis deveria ser de R$ 11 mil, aponta estudo da UEG

Levantamento mostra que salário recebido por grande parte dos trabalhadores já não consegue cobrir despesas básicas como alimentação, moradia, saúde e transporte

Lara Duarte -
Salário mínimo para viver com dignidade em Anápolis deveria ser de R$ 11 mil, aponta estudo da UEG
Distrito Agroindustrial de Anápolis. (Foto: Divulgação/Codego)

Uma família de quatro pessoas precisaria receber mais de R$ 11 mil por mês para conseguir manter uma vida considerada digna em Anápolis, segundo levantamento divulgado pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Universidade Estadual de Goiás (NEPE-UEG) nesta sexta-feira (15).

O valor calculado pelos pesquisadores chegou a R$ 11.128,87 e leva em consideração despesas essenciais previstas na Constituição Federal, como alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, lazer e previdência. Atualmente, o salário mínimo nacional é de R$ 1.621.

O cálculo é feito a partir do custo de vida registrado no município e busca estimar quanto seria necessário para que uma família consiga manter condições básicas ao longo do mês sem comprometer integralmente a renda apenas com sobrevivência.

Despesas essenciais pressionam orçamento familiar

Na avaliação da integrante do NEPE-UEG e acadêmica de Ciências Econômicas, Beatriz Felix Rodrigues, a diferença entre os valores ajuda a explicar uma realidade cada vez mais comum entre famílias brasileiras: a dificuldade de manter as despesas básicas dependendo apenas de uma única fonte de renda.

Isso porque grande parte da renda acaba comprometida logo nas necessidades mais essenciais do mês, principalmente alimentação.

A pesquisa apontou que a cesta básica em Anápolis chegou a R$ 886,60 em abril, consumindo mais da metade do salário mínimo líquido do trabalhador.

Com isso, famílias que dependem exclusivamente de um salário mínimo enfrentam dificuldades para equilibrar despesas como aluguel, contas domésticas, transporte, medicamentos e alimentação ao longo do mês, tornando cada vez mais necessária a complementação da renda por outros integrantes da casa.

“A população sente esses efeitos nos preços no dia a dia, principalmente no supermercado, nas compras básicas, mas nem sempre entende de forma clara como isso impacta diretamente no salário e no poder de compra das outras coisas”, afirmou ao Portal 6.

Pesquisa realizada pelo NEPE da UEG mostra que a cesta básica em Anápolis compromete 59,13% do salário mínimo. (Foto: Paulo de Tarso/Prefeitura de Anápolis)

Tempo de trabalho evidencia impacto no orçamento

O levantamento também mostrou que um trabalhador precisou dedicar mais de 120 horas de trabalho apenas para conseguir comprar os produtos básicos de alimentação do mês.

Segundo Beatriz, o cenário evidencia como os itens essenciais vêm consumindo uma parcela cada vez maior da renda das famílias.

“Quanto do salário mínimo é comprometido somente com os itens essenciais e quanto tempo de trabalho é necessário para adquirir a cesta. Tecnicamente não sobra nada para ela conseguir ter outras coisas”, destacou.

O estudo é divulgado mensalmente pelo NEPE-UEG e acompanha a evolução dos preços da cesta básica em Anápolis, além dos impactos do custo de vida sobre a renda dos trabalhadores.

“O trabalho no NEPE é produzir esses dados de forma confiável sobre o custo de vida do município e também contribuir para o debate econômico regional e tentar aproximar a universidade com a comunidade”, concluiu.

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Lara Duarte

Jornalista e pós-graduanda em Ciência Política, com atuação em jornal impresso, assessoria de comunicação e produção, reunindo experiência em diferentes frentes da comunicação.

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