Rede de supermercados que já faturou R$ 285 milhões por ano teve as portas fechadas
Corujão cresceu apostando em funcionamento 24 horas, virou referência no interior da Bahia e chegou ao auge durante a pandemia antes de fechar as portas

O setor supermercadista brasileiro passou por grandes transformações nos últimos anos.
Enquanto algumas redes ampliaram operações durante o crescimento do consumo doméstico na pandemia, outras enfrentaram dificuldades para sustentar a expansão em meio ao aumento dos juros e à desaceleração econômica.
Na Bahia, uma das histórias mais marcantes do varejo regional envolve a Rede Corujão. A empresa saiu de uma operação simples em Feira de Santana, conquistou consumidores com um modelo inovador de funcionamento 24 horas e chegou a faturar R$ 285 milhões por ano.
No entanto, após um período de crescimento acelerado, a rede acabou encerrando definitivamente suas atividades.
Corujão nasceu como depósito 24 horas
A história do Corujão começou em 2012, em Feira de Santana, idealizada pela empresária Daniela Lacerda ao lado do marido.
Na época, Daniela percebeu que a cidade praticamente não possuía opções abertas durante a madrugada. Enquanto isso, o consumo de bebidas seguia forte na região. Dessa forma, surgiu a ideia de criar um depósito e distribuidora de gás e bebidas funcionando 24 horas por dia.
O modelo rapidamente ganhou popularidade. Com o aumento da demanda, os clientes passaram a pedir outros produtos além das bebidas, como carnes, legumes e itens perecíveis.
Assim, em 2018, o negócio deixou de atuar apenas como depósito e passou oficialmente a funcionar como supermercado.

(Imagem: Divulgação/EcoArt)
Expansão acelerada levou rede ao auge
Nos anos seguintes, o Corujão ampliou operações e chegou a sete unidades, atuando tanto no varejo de proximidade quanto no modelo atacarejo.
Além disso, a rede criou lojas no formato Express e expandiu presença para Salvador através de franquias.
Durante o auge da operação, impulsionado principalmente pelo aumento do consumo doméstico na pandemia da Covid-19, o grupo atingiu faturamento anual de R$ 285 milhões e se consolidou como o maior varejo do interior baiano.
O crescimento também trouxe reconhecimento nacional para Daniela Lacerda. A empresária foi apontada pela Associação Baiana de Supermercados como a mulher mais jovem do setor varejista do estado e entrou para a lista Under 30 da Forbes Brasil em 2021.
Crise financeira acelerou fechamento
Apesar do crescimento acelerado, o cenário começou a mudar drasticamente a partir de 2022.
Segundo Daniela, o principal impacto veio da alta da taxa Selic. Empresas com forte dependência de crédito e expansão financiada passaram a enfrentar aumento expressivo dos custos operacionais.
Além disso, o varejo alimentar sofreu desaceleração no período pós-pandemia, reduzindo o ritmo de consumo que havia impulsionado o crescimento da rede.
Com isso, o Corujão entrou em sucessivas renegociações bancárias e acumulou dívidas cada vez maiores. Segundo a empresária, os juros sobre empréstimos acabaram tornando a operação financeiramente insustentável.
Sem conseguir suportar a pressão financeira, a rede encerrou definitivamente todas as atividades em 2024.
O que aconteceu com a fundadora
Após o fechamento da empresa, Daniela Lacerda passou a atuar em novas áreas.
Atualmente, a empresária direciona investimentos para o agronegócio e também ingressou na carreira política.
Além disso, Daniela assumiu a presidência estadual do partido Avante na Bahia, defendendo propostas voltadas ao incentivo da liderança feminina e à ampliação da participação das mulheres em espaços de gestão e poder.
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