A proposta feita pelo setor de supermercados para aderir ao fim da escala 6×1

Debate sobre jornada no varejo alimentar ganha novo capítulo em meio à pressão por dois dias de descanso e à busca por alternativas no setor

Gustavo de Souza -
Mudança na escala e nos horários dos supermercados aos domingos e feriados após acordo com sindicato
(Foto: Reprodução/Agência Brasil)

A discussão sobre a escala 6×1 deixou de ser apenas uma pauta do Congresso e passou a ocupar também o centro das negociações do varejo alimentar. Em um setor que depende de funcionamento contínuo, atendimento aos fins de semana e equipes em diferentes turnos, a mudança é tratada como bastante cautela.

Foi nesse contexto que o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), João Galassi, levou ao debate uma proposta de transição para que o segmento avance rumo ao modelo 5×2.

O setor defende que a mudança ocorra de forma gradual, em um prazo de até dez anos. A principal questão é sobre a carga horária, com Galassi defendendo a manutenção das 44 horas semanais, modelo previsto pela Constituição, e rejeita uma redução simultânea da jornada.

Na prática, a proposta dos supermercados não rejeita o fim da escala 6×1, mas tenta condicionar a transição a um prazo excessivamente longo, à manutenção da carga horária e à redução de custos operacionais.

A fala ocorreu durante a abertura da APAS Show, em São Paulo, evento promovido pela Associação Paulista de Supermercados. A proposta surge em um momento em que a Câmara dos Deputados discute alternativas para acabar com a escala 6×1 e ampliar os dias de descanso do trabalhador.

No Congresso, o debate caminha em direção a uma jornada menor. Um acordo anunciado pela Câmara prevê redução de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de descanso e sem diminuição salarial, além do fortalecimento das convenções coletivas.

Para os supermercados, no entanto, a adaptação exige cuidado. A ABRAS aponta que o setor movimentou R$ 1,067 trilhão em 2024, o equivalente a 9,12% do PIB nacional, e argumenta que mudanças bruscas podem pressionar custos, escalas e lojas menores.

Galassi também defendeu alterações no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), especialmente para ampliar a interoperabilidade entre bandeiras e reduzir taxas cobradas nas operações. O tema já é alvo de mudanças do governo federal, que prevê abertura gradual do sistema e interoperabilidade plena até novembro de 2026.

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Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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