Goiânia pode ganhar Museu do Césio-137 quase 40 anos após acidente radiológico

Proposta busca instituir um local permanente de homenagem às vítimas, além de um ambiente educativo

Ícaro Gonçalves -
Césio-137, em Goiânia
Trabalhadores durante o acidente com Césio-137, em Goiânia (Foto: Acervo/Governo de Goiás)

Próximo de completar quatro décadas, o acidente radiológico com Césio-137 em Goiânia ainda não conta com um espaço de memória e reconhecimento.

Mas essa história pode mudar com o avanço de um projeto de lei na Câmara Municipal para criação do Museu e Memorial do Césio-137.

A proposta, de autoria do vereador Lucas Kitão (Mobiliza), busca instituir um local permanente de homenagem às vítimas, além de um ambiente educativo voltado à conscientização histórica sobre o episódio.

A ideia é desenvolver um local que seja ponto de preservação histórica e reflexão sobre os impactos do desastre.

Segundo o autor, a iniciativa também reconhece o trabalho de profissionais que atuaram no atendimento às vítimas, como equipes de saúde e resgate.

Nesta quarta-feira (20), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) deu aval à pauta, que agora segue para avaliação das demais comissões antes de ser votada no plenário.

Série da Netflix deu nova luz ao tema

A discussão sobre a criação de um espaço de memória para o Césio-137 voltou a ganhar força nesse ano de 2026 após o lançamento de uma série produzida pela Netflix que revisita o acidente ocorrido em Goiânia, em setembro de 1987.

Apesar da repercussão positiva da série, que deu nova visibilidade ao tema, a produção também foi alvo de críticas.

Parte do debate surgiu porque as gravações não foram feitas na capital goiana, mas em São Paulo, o que gerou questionamentos sobre o apagamento da história dos goianienses.

Ainda assim, o debate acabou contribuindo para reforçar as discussões sobre a necessidade de iniciativas de memória, como o projeto do museu em discussão na Câmara.

Um dos maiores acidentes radiológicos do mundo

O acidente com o Césio-137 é considerado o maior caso de contaminação radiológica fora de instalações nucleares. Ele ocorreu após o descarte inadequado de um equipamento de radioterapia abandonado em um antigo instituto de radiologia na capital goiana.

A substância acabou sendo manipulada em um ferro-velho, o que levou à contaminação de centenas de pessoas e resultou em mortes diretamente relacionadas à exposição.

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Ícaro Gonçalves

Jornalista formado pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) e mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG).

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