Assaí, Atacadão, Grupo Mateus e outros supermercados poderão ser obrigados a seguir nova lei
Uma proposta em discussão no Congresso Nacional pode transformar a forma como milhões de brasileiros fazem compras e transportam seus produtos no dia a dia

As discussões sobre sustentabilidade e redução da produção de resíduos vêm ganhando cada vez mais espaço no Brasil e no mundo.
Nos últimos anos, governos, empresas e consumidores passaram a buscar alternativas para diminuir os impactos ambientais provocados pelo descarte inadequado de materiais utilizados diariamente.
Entre eles, as sacolas plásticas aparecem como um dos principais desafios devido ao grande volume consumido e ao tempo necessário para sua decomposição na natureza.
Nesse contexto, uma proposta que avança na Câmara dos Deputados promete gerar mudanças significativas na rotina de milhões de brasileiros. Embora o texto ainda esteja em tramitação, ele já chama a atenção de consumidores e do setor varejista.
Afinal, caso seja aprovado, supermercados, atacados, farmácias e diversos estabelecimentos comerciais terão de se adaptar a novas regras para a distribuição de embalagens aos clientes.
Projeto quer substituir sacolas plásticas por alternativas sustentáveis
Atualmente em análise na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei (PL) 3975/2025 propõe a proibição da fabricação, distribuição e utilização de sacolas plásticas não recicláveis em todo o território nacional.
Dessa forma, a medida busca reduzir a quantidade de resíduos descartados diariamente e incentivar o uso de materiais mais sustentáveis.
Na prática, a mudança não afetará apenas grandes redes de atacarejo. Pelo contrário, a proposta também alcança supermercados, hipermercados, farmácias, lojas de departamento e o comércio em geral.
Assim, empresas como Assaí, Atacadão, Grupo Mateus e diversas outras redes poderão ter de adequar seus processos caso a proposta se transforme em lei.
Além disso, o texto determina que os estabelecimentos ofereçam alternativas ambientalmente mais responsáveis. Entre as opções previstas estão:
- Embalagens de papelão;
- Materiais reutilizáveis;
- Embalagens recicláveis;
- Soluções sustentáveis compatíveis com as exigências da legislação.
Consequentemente, os consumidores também poderão precisar mudar alguns hábitos. Em vez de depender das tradicionais sacolinhas plásticas, será cada vez mais comum utilizar ecobags, caixas reaproveitadas e outros recipientes reutilizáveis durante as compras.
Por outro lado, especialistas apontam que a transição pode trazer benefícios ambientais importantes. Isso porque a redução do consumo de plásticos descartáveis tende a diminuir a poluição em rios, lagos, oceanos e áreas urbanas.
Comércio terá prazo para adaptação e poderá receber incentivos
O projeto é de autoria do deputado federal Gabriel Nunes e ainda precisa passar pelas etapas de discussão e votação antes de entrar em vigor. Entretanto, o texto já prevê mecanismos para facilitar a adaptação das empresas às novas exigências.
Nesse sentido, caso a proposta seja aprovada, os estabelecimentos terão até 24 meses para substituir as sacolas plásticas não recicláveis por alternativas permitidas.
Dessa maneira, o comércio contará com um período de transição para reorganizar contratos, fornecedores e processos internos.
Além do prazo de adequação, o projeto também abre espaço para que o Governo Federal ofereça apoio ao setor. Entre as medidas previstas estão:
- Incentivos fiscais;
- Assistência técnica aos comerciantes;
- Apoio a projetos de reciclagem;
- Destinação de recursos para cooperativas e empresas do setor.
Enquanto isso, a proposta estabelece punições para quem descumprir as futuras regras. Inicialmente, os estabelecimentos poderão receber advertências. No entanto, em casos de reincidência ou descumprimento contínuo, as sanções poderão se tornar mais severas.
Entre as penalidades previstas estão:
- Advertência;
- Multas de até R$ 50 mil;
- Suspensão temporária das atividades.
Portanto, comerciantes que deixarem de cumprir as determinações poderão enfrentar impactos financeiros consideráveis.
Medida busca reduzir resíduos e fortalecer a economia circular
Segundo a justificativa apresentada pelo autor da proposta, a iniciativa está alinhada à Política Nacional de Resíduos Sólidos.
Dessa forma, o projeto busca ampliar ações voltadas à redução da geração de lixo e ao incentivo de práticas ambientalmente responsáveis.
Além dos benefícios ambientais, a proposta também pretende fortalecer a chamada economia circular. Ou seja, a ideia é ampliar o reaproveitamento de materiais e incentivar atividades ligadas à reciclagem em todo o país.
Consequentemente, cooperativas de reciclagem e empresas especializadas no setor poderão ser beneficiadas pelo aumento da demanda por materiais recicláveis. Ao mesmo tempo, a expectativa é que novos empregos e oportunidades de renda sejam gerados ao longo da cadeia produtiva.
Por fim, embora o projeto ainda esteja em fase de tramitação, ele já desperta atenção por seu potencial de transformar hábitos de consumo e práticas comerciais em todo o Brasil.
Agora, as próximas etapas no Congresso Nacional serão decisivas para definir se a proposta realmente sairá do papel e passará a fazer parte da rotina de consumidores e empresas nos próximos anos.
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