As mãos por trás das Cavalhadas: trabalho voluntário ajuda a atrair 30 mil turistas para Jaraguá

Moradores dedicam meses de trabalho para manter viva uma tradição centenária que movimenta a cultura, o turismo e a economia do município

Matheus Araújo Matheus Araujo -
Com expectativa de atrair 30 mil visitantes, festividades em Jaraguá impulsionam a ocupação hoteleira e aumentam o volume de vendas no comércio local
Cavaleiros que vestem vermelho representam os mouros, enquanto os cavaleiros de azul representam os cristãos. (Foto: Matheus Araujo)

Quando os cavaleiros entram na arena e dão início às batalhas entre mouros e cristãos, milhares de pessoas acompanham cada detalhe das Cavalhadas de Jaraguá.

O que poucos visitantes enxergam, porém, é o trabalho realizado nos bastidores por dezenas de voluntários que ajudam a transformar a tradicional festa em um dos maiores atrativos turísticos de Goiás.

Entre essas pessoas está Genésio Antônio. Morador de Jaraguá, ele é responsável pela confecção das máscaras utilizadas em um dos momentos mais aguardados da encenação e representa uma rede de colaboradores que, ano após ano, mantém viva uma tradição prestes a completar dois séculos.

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Em 2026, as Cavalhadas de Jaraguá chegaram à 193ª edição. Integrante do Circuito das Cavalhadas, realizado pelo Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), o evento deve receber cerca de 30 mil visitantes, segundo estimativa da Prefeitura de Jaraguá.

O número demonstra como o empenho da comunidade vai além da preservação cultural. Durante os dias de festa, hotéis, restaurantes, bares e o comércio em geral registram aumento na movimentação, impulsionando a economia local.

O envolvimento dos moradores é apontado como uma das principais razões para a força da celebração. Rei Mouro das Cavalhadas de Jaraguá, Rodolfo Valentino destaca que a participação popular é um dos diferenciais da festa.

“A cidade, na época, para tudo. É uma festa muito grande, muito forte e a população participa em massa.”

Rodolfo Valentino Pimentel, rei mouro nas cavalhadas de Jaraguá. (Foto: Matheus Araujo)

No caso de Genésio, a contribuição começou de maneira inesperada. O que era apenas uma solução para um problema acabou se tornando uma responsabilidade assumida há mais de uma década.

“Foi uma necessidade que a gente teve em um ano. Não sei se foi por falta de comunicação, esqueceram de comprar as cabeças, que vinham de Pirenópolis, e aí eu confeccionei uma em um balão de aniversário. Fui moldando da mesma forma que a gente faz hoje e pronto. Depois disso, ninguém mais foi comprar. Eu passei a ser o responsável por fabricar as cabeças. Virou uma tradição”, relembra.

O artesão aprendeu a técnica em 2012 e nunca mais deixou de participar da festa. Em 2018, produziu mais de 180 máscaras para ornamentação do campo e também doou peças para moradores que desejavam sair como mascarados pelas ruas da cidade.

As máscaras são utilizadas na chamada Carreira da Cabeça, momento em que os cavaleiros, armados com lanças, espadas e garruchas, tentam acertar os alvos que representam os adversários.

Apesar de grande parte do trabalho ser voluntária, a produção movimenta diferentes setores da economia local. A compra de materiais necessários para a confecção das peças gera demanda no comércio da cidade, criando um ciclo que beneficia diversos negócios.

“A cabeça é feita toda com material reciclável, colada com grude, que é a famosa água com polvilho, que dá a liga que você precisa. E aí a gente molda ela com o material que aqui a gente conhece como emborrachado, ou EVA para outras pessoas”, explica.

Das máscaras ao movimento econômico

O impacto das Cavalhadas ultrapassa os limites da arena. Em todo o estado, o Circuito das Cavalhadas passa por 16 municípios e recebeu investimento de R$ 5 milhões em 2026, o maior aporte já destinado ao projeto.

Circuito das Cavalhadas 2026 passa por 16 municípios goianos.

Circuito das Cavalhadas 2026 passa por 16 municípios goianos. (Infográfico/Matheus Araujo)

Para o prefeito Paulo Vitor Avelar (UB), o retorno acontece em diversas áreas. “É um investimento que tem muito retorno, não só na área da cultura e do turismo, mas da economia em geral”, elencou.

Barraquinhas, brinquedos e food trucks nas ruas também proporcionam entretenimento ao público após o término das encenações. (Foto: Matheus Araujo)

A secretária de Estado da Cultura, Yara Nunes, também destaca a capacidade de mobilização da festa.

“As Cavalhadas têm um forte poder de mobilização social e cultural, envolvendo toda a comunidade nos preparativos e nas encenações. Além de preservar uma tradição centenária, o circuito impulsiona o turismo e fortalece a economia local, com reflexos diretos no comércio, na rede hoteleira, nos bares, restaurantes e em diversos serviços.”

Se as Cavalhadas encantam milhares de visitantes todos os anos, muito disso se deve ao trabalho silencioso de moradores como Genésio. São essas mãos, longe dos holofotes, que ajudam a preservar uma tradição centenária e a transformar cultura em desenvolvimento para Jaraguá.

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Matheus Araújo

Matheus Araujo

Publicitário pela Universidade Evangélica de Goiás. Social media do Portal 6 desde agosto.

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