Viagens, salão e dízimo: para onde teria ido o dinheiro desviado por funcionária de loja em Goiânia
Polícia Civil apura o destino de valores que teriam sido retirados indevidamente de uma empresa da capital; prejuízo estimado já ultrapassa R$ 200 mil

Novos detalhes revelados durante as investigações apontam como teriam sido utilizados os recursos supostamente desviados por uma ex-funcionária de uma loja de roupas de Goiânia.
Entre os gastos identificados estão passagens aéreas nacionais e internacionais, pagamentos em salões de beleza, despesas familiares e até contribuições religiosas.
A jovem, de 29 anos, foi presa pela Polícia Civil (PC) no dia 03 de junho e é investigada por furto qualificado. Conforme as apurações, ela trabalhava no setor financeiro da empresa e teria realizado movimentações bancárias e pagamentos sem autorização.
Segundo a advogada que representa a loja Ambrô, parte do dinheiro teria sido utilizado para custear despesas pessoais, incluindo compras em supermercados, restaurantes, aquisição de maquiagem, móveis, ração para cachorro, plano de saúde e gastos de familiares.
Ainda de acordo com a representante da empresa, as investigações apontam que aproximadamente R$ 137 mil teriam sido transferidos para contas ligadas aos pais da investigada por meio de PIX.
Além disso, cerca de R$ 68 mil em compras parceladas teriam sido realizados utilizando o cartão corporativo da empresa.
A Polícia Civil segue analisando a movimentação financeira para identificar o destino completo dos recursos e verificar se houve participação de outras pessoas no esquema.
Em tempo
O caso começou a ser investigado após a própria empresa identificar movimentações consideradas incompatíveis com as operações regulares do negócio.
Conforme divulgado anteriormente pelo Portal 6, a suspeita atuava como assistente financeira da loja e teria realizado transferências bancárias para familiares, além de utilizar recursos corporativos para despesas particulares.
O prejuízo inicialmente apurado pelas autoridades era de R$ 137.430,39. Entretanto, após auditorias internas realizadas pela empresa, a proprietária da Ambrô, Júlia Galvão, afirmou que o valor total dos desvios pode ultrapassar os R$ 200 mil.
A prisão ocorreu horas antes de uma viagem ao Rio de Janeiro. Segundo a PC, a investigada já havia realizado o check-in quando foi localizada pelos agentes.
A defesa da suspeita, por sua vez, sustenta que a viagem havia sido comprada meses antes e tinha caráter exclusivamente turístico.
As investigações também apuram movimentações que teriam ocorrido mesmo após o desligamento da funcionária da empresa.
O inquérito segue em andamento e ainda será analisado pelo Ministério Público, que decidirá sobre eventual oferecimento de denúncia.
Nota da defesa da funcionária
A defesa informa que está adotando todas as medidas judiciais cabíveis para esclarecer os fatos e restabelecer sua liberdade. A funcionária é primária, tem bons antecedentes, não cometeu nenhum crime anteriormente. Em relação à viagem marcada para o Rio de Janeiro, a passagem havia sido comprada antes de qualquer intervenção policial, era uma viagem a passeio para o feriado de 04 de junho. Ela não cometeu crime utilizando violência ou grave ameaça.
A defesa reforça sua confiança na justiça e na correta aplicação da lei, ressaltando que a funcionária colabora com as autoridades e possui plenos vínculos com o distrito da culpa, não havendo qualquer necessidade da medida cautelar extrema que lhe foi imposta.
Estamos falando de um inquérito policial em andamento, que sequer ainda há denúncia (o Ministério Público ainda vai analisar e oferecer eventual denúncia). A vítima tem divulgado imagem da acusada que ainda não teve denúncia oferecida e sequer foi condenada. Por enquanto, prevalece o princípio da presunção de inocência.
Estão divulgando que foi um “rombo milionário”, o que não corresponde aos valores mencionados. Por respeito ao sigilo processual e à ética, a defesa não comentará detalhes da investigação, aguardando o julgamento dos pedidos de liberdade.
Nota da Ambrô
A Ambrô informa que identificou desvios de recursos financeiros da empresa praticados por uma ex-colaboradora, por meio de transferências, pagamentos e outras movimentações não autorizadas, destinadas ao custeio de despesas e benefícios de caráter pessoal.
Após a constatação dos fatos, foram imediatamente adotadas todas as medidas administrativas e legais cabíveis, incluindo o registro de boletim de ocorrência, a apresentação das evidências às autoridades competentes e o acompanhamento integral das investigações pelos órgãos responsáveis.
A empresa ressalta que possui ampla documentação, registros financeiros e demais elementos comprobatórios que já foram encaminhados às autoridades e que contribuirão para o completo esclarecimento do caso.
Assim, todas as medidas judiciais foram tomadas, ressaltando sempre a confiança na Justiça.
A operação da empresa segue normalmente, sem qualquer impacto para clientes, parceiros comerciais, fornecedores ou colaboradores.
A Ambrô reafirma seu compromisso com a ética, a transparência e a integridade em todas as suas relações, permanecendo à disposição das autoridades para colaborar com o andamento das apurações.
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