Ondas gigantes de 35 metros, equivalentes a um prédio de 10 andares, são detectadas por satélite no Pacífico
Ondas de até 35 metros registradas no Pacífico desafiam previsões antigas e podem mudar regras de segurança no mar

Por décadas, engenheiros navais calcularam a resistência de navios e plataformas com base em modelos que estabeleciam limites para o tamanho das ondas que o mar poderia gerar.
Esses limites foram revistos depois que satélites registraram ondas de até 35 metros de altura no Oceano Pacífico, o equivalente a um prédio de dez andares se movendo pela superfície da água.
A detecção foi feita por instrumentos de altimetria a bordo de satélites oceanográficos capazes de medir com precisão a superfície do mar em tempo real.
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Os dados contradizem o que muitos modelos estatísticos tradicionais previam como possível em condições extremas.
O que são ondas gigantes e por que elas surgem
Ondas com altura muito acima da média do mar ao redor são chamadas de ondas assassinas ou rogue waves em inglês. Durante muito tempo, foram tratadas como lenda de marinheiro.
A comunidade científica só passou a levá-las a sério após o caso da plataforma Draupner, no Mar do Norte, em 1995, quando sensores registraram uma onda de 26 metros em condições que não justificavam aquela altura.
O fenômeno ocorre quando diferentes sistemas de ondas se somam no mesmo ponto e no mesmo momento. Em vez de se cancelarem, elas se amplificam. O resultado é uma parede d’água que aparece de forma súbita e desaparece quase tão rápido.
Por que o registro de 35 metros importa tanto
O tamanho em si já é impressionante, mas o que realmente muda o jogo é onde e como a onda foi detectada. Satélites cobrem áreas do oceano que navios raramente cruzam e onde não há boias de monitoramento.
Isso significa que eventos desse tipo provavelmente ocorrem com mais frequência do que os registros históricos indicavam.
Para a indústria naval e para as empresas de petróleo e gás que operam plataformas em mar aberto, essa informação tem consequências diretas.
As normas de construção e os protocolos de segurança são baseados em probabilidades. Se ondas de 35 metros são mais comuns do que se pensava, os projetos precisam ser revistos.
Como os satélites conseguem medir ondas no oceano aberto
Os instrumentos usados são chamados de altímetros de radar. Eles emitem pulsos de micro-ondas em direção à superfície do mar e medem o tempo que o sinal leva para voltar.
A variação nesse tempo permite calcular a altura da superfície com precisão de poucos centímetros, mesmo a centenas de quilômetros de altitude.
Missões como as do satélite Sentinel-6, operado pela Agência Espacial Europeia em parceria com a NASA, e outras plataformas de observação oceanográfica têm acumulado dados que agora permitem identificar padrões que passavam despercebidos.
O que muda na prática para quem navega
A descoberta pressiona por atualizações em três frentes principais:
- Modelos de previsão de ondas, que precisam incorporar a possibilidade de eventos extremos com maior frequência
- Normas de construção naval, para que cascos e superstruturas suportem impactos mais intensos
- Rotas de navegação, especialmente em regiões do Pacífico onde esses eventos foram registrados
Organizações como a Organização Marítima Internacional (IMO) e agências nacionais de meteorologia marinha já acompanham os dados gerados por satélite para incorporar as novas referências nos sistemas de alerta.
O que ainda não se sabe
Cientistas ainda investigam com que frequência ondas desse porte realmente ocorrem e se há regiões do oceano mais propensas a gerá-las.
A cobertura por satélite aumentou muito na última década, mas ainda não é contínua em todos os pontos do planeta. Cada novo dado ajuda a preencher lacunas que existiam nos modelos por simples falta de observação.
O que a detecção de ondas de 35 metros no Pacífico deixa claro é que o oceano ainda guarda comportamentos que a ciência subestimou.
E que, quando o mar resolve provar isso, o tamanho do problema pode ser literalmente o de um prédio de dez andares em movimento.
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