Fim da escala 6×1: quando a reforma será aprovada para os trabalhadores CLT?
Próximos passos despertam curiosidade entre brasileiros diante de expectativas sobre mudanças amplamente aguardadas nacionalmente.

A pergunta está na cabeça de milhões de trabalhadores com carteira assinada: quando a escala 6×1 vai realmente acabar? A resposta, por enquanto, é que ainda não há data definida, mesmo com a proposta avançando no Congresso.
A mudança depende do cumprimento de todas as etapas previstas para uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), um rito mais longo e rigoroso do que o de uma lei comum.
Enquanto esse caminho não se encerra, seguem valendo as regras atuais da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
O passo mais importante já foi dado. Em 27 de maio de 2026, a Câmara dos Deputados aprovou a PEC 221/2019 em dois turnos, com ampla folga: 472 votos a 22 no primeiro turno e 461 a 19 no segundo.
O texto que passou é um substitutivo do relator Leo Prates (Republicanos-BA), que reuniu propostas como a de Reginaldo Lopes (PT-MG) e a da deputada Érika Hilton (Psol-SP), uma das principais vozes da pauta.
O que muda com o fim da escala 6×1
O ponto central da proposta é a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem qualquer corte no salário, com a garantia de dois dias de descanso para cada cinco trabalhados. A mudança, porém, não seria imediata.
O texto prevê uma transição em etapas, contada a partir da promulgação.
Depois de 60 dias, já passam a valer as duas folgas semanais, uma delas preferencialmente aos domingos, e a jornada cai de 44 para 42 horas. A redução final, para 40 horas semanais na escala 5×2, se completa 14 meses após a promulgação.
A regra tem exceções previstas no próprio texto. Ela não se aplica a quem já cumpre 40 horas semanais ou menos, nem a trabalhadores com nível superior que ganhem acima de R$ 21.188,87, o equivalente a duas vezes e meia o teto do INSS.
As próximas etapas no Senado
Agora, o desafio da proposta é repetir no Senado o desempenho que teve na Câmara. Para ser aprovada, ela precisa passar por votação em dois turnos, com o apoio mínimo de três quintos dos senadores, ou seja, 49 dos 81 parlamentares.
A partir daí, dois caminhos se abrem. Se o texto for aprovado sem alterações, segue direto para a promulgação pelo Congresso. Se sofrer qualquer mudança, volta à Câmara para uma nova análise, o que alongaria ainda mais o processo.
Por que ainda não há uma data
O calendário de votação depende inteiramente da pauta definida pelo Senado, e é justamente aí que mora a indefinição. A proposta virou alvo de disputa entre quem quer votá-la logo e quem prefere adiar a discussão.
Representantes do setor produtivo já procuraram o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, pedindo que o debate seja feito de forma técnica e, de preferência, apenas após as eleições de outubro.
Enquanto trabalhadores e sindicatos veem a medida como uma conquista histórica, parte dos empregadores alerta para os impactos econômicos, o que ajuda a explicar por que não há prazo fechado.
O que vale até a decisão final
Diante desse cenário, a orientação é clara: nada muda até que todo o trâmite seja concluído. Enquanto não houver aprovação definitiva e promulgação da PEC, a escala 6×1 continua autorizada pela legislação brasileira.
Na prática, empresas e trabalhadores devem seguir as normas atuais da CLT e os acordos coletivos de cada categoria profissional, até que a reforma, se aprovada, entre oficialmente em vigor.
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